Editorial

Abas primárias

Comunhão dos Santos

A Solenidade de Todos os Santos e a Comemoração dos Fiéis Defuntos se relacionam intimamente: as duas celebrações expressam e fortalecem o mistério da Comunhão dos Santos. 

Por meio do Batismo, fomos unidos por um vínculo espiritual muito forte, nascido “não do sangue, nem vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus” (cf. Jo 1,13). Mais forte e mais duradoura do que os laços de sangue, a ligação espiritual dos filhos de Deus permanecerá por toda a eternidade. Essa união misteriosa decorre do fato de termos sido lavados em um mesmo Espírito, sermos filhos de um único Pai, remidos por um mesmo Sangue e de crermos num único Senhor, Jesus Cristo, a Quem recebemos na Eucaristia. A esse vínculo sobrenatural de amor “mais forte que a 
morte” (Ct 8,6) chamamos Comunhão dos Santos. 

Por meio dela, encontram-se intensamente unidas as três porções da Igreja: a “Militante”, formada por todos nós, que ainda caminhamos em meio às dificuldades deste mundo; a “Padecente”, composta por nossos irmãos que morreram na graça de Deus e, no purgatório, se purificam de suas faltas; e a “Triunfante”, formada por aqueles que já venceram, receberam a coroa de glória e, com a Virgem Maria e os Santos, contemplam o Senhor no Céu. 

Na Solenidade de Todos os Santos, recordamos que não caminhamos sozinhos! Uma multidão incontável de cristãos de todos os povos, línguas, raças e nações já passou pelas mesmas provas que nós: cansaço, medo, dificuldades, incompreensões, doenças… Tiveram lutas e fraquezas semelhantes às nossas e foram considerados dignos! São aqueles que “vieram da grande tribulação” (Ap 7,14) e agora conhecem o Senhor “não mais apenas por ouvir dizer, mas face a face” (cf. Jó 42,5). Comprovaram com os próprios olhos que “os sofrimentos do tempo presente não são nada em comparação com a glória que se há de manifestar” (Rm 8,18). Junto a Deus, oram por nós e, até que cheguemos ao Porto Seguro, nos servirão de exemplo, como verdadeiros irmãos mais velhos. 

Em Finados, ao invés, nós é que ajudamos os irmãos falecidos. Talvez eles até já tenham nos protegido, servido e amado enquanto estavam entre nós: pais, avós, tios, sacerdotes… Talvez os tenhamos amado intensamente: filhos, esposas, grandes amigos… Agora, retribuímos o seu amor e a sua bondade, oferecendo orações e Missas em sufrágio de suas almas. Oramos também por tantas pessoas que sequer conhecemos, mas que temos a oportunidade de ajudar gratuitamente, apenas pedindo a Deus “pelas almas do purgatório”. Realizamos, assim, uma das mais belas obras de misericórdia e contribuímos para abreviar os seus sofrimentos, a fim de que entrem logo no Céu. Ao chegarem à presença do Senhor na glória, essas benditas almas, sem dúvida, também nos ajudarão e acompanharão com sua intercessão. 

Peçamos à Virgem Maria, Mãe da grande Família de Deus, que nos una muito aos irmãos da terra, do Céu e do purgatório; à Igreja de ontem, de hoje e de sempre. Que Nossa Senhora torne o nosso caminho nesta vida mais doce, ensinando-nos a saborear e aproveitar esse mistério de fé e de amor da Comunhão dos Santos.
 

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