Editorial

Abas primárias

Crescer na virtude da esperança

Na Bíblia, Deus exige frequentemente dos homens uma grande capacidade de aguardar a Sua manifestação. Aguardar o remédio ao pecado original; aguardar o fim do dilúvio; o cumprimento das promessas; a chegada à Terra; o retorno do exílio; a vinda do Messias… Adão, Noé, Abraão, Moisés, os Profetas, o velho Simeão e tantos outros, jamais tiveram “soluções rápidas”. Ao contrário, “sofreram as demoras de Deus” (cf. Eclo 2,3); aguardaram-No pacientemente, por vezes “contra toda a esperança” (cf. Rm 4,18)! 

Também Nosso Senhor ensina-nos sobre a necessidade de aceitar as demoras de Suas respostas e intervenções: “pela paciência, salvareis as vossas almas” (Lc 21,19). Repreendeu os Apóstolos que, no momento decisivo da Cruz, não souberam aguardar em oração ao Seu lado: “Não pudestes vigiar uma hora Comigo?” (Mt 26,11). E aconselhou-os como norma de vida: “Vigiai e orai!” (idem). Premiou o amor vigilante de Maria Madalena, que correra ao sepulcro “enquanto ainda estava escuro” (Jo 20,1), concedendo-lhe ver antes mesmo dos apóstolos os sinais da ressurreição. 

A capacidade de aguardar o Senhor com o paciência e atenção é uma manifestação concreta da Esperança cristã. Por meio dessa virtude teologal, confiamos com firme certeza que Ele nos dará a vida eterna e todos os meios para alcançá-la, ainda que pareça demorar! A alma que espera não desfalece! Pois sabe, mesmo em meio ao cansaço, que Deus jamais deixa de cumprir Suas promessas de salvação.

E este é o sentido do Tempo do Advento: crescer na virtude da Esperança! Atualizar a espera pela vinda do Menino de Belém e renovar a certeza de Seu retorno no Último Dia, como Juiz dos vivos e dos mortos. Ao longo de quatro semanas, esta será a nossa atitude: “A minha alma espera no Senhor, mais que o vigia pela aurora, pois no Senhor se encontra toda a graça e copiosa redenção” (cf. Sl 129,6). 

Essa vigilância somente será possível por meio da oração mais intensa! Pois orar é isto mesmo: esperar atentamente pelo Senhor. De joelhos, com os olhos fixos no sacrário, esperamos em silêncio que o Senhor nos toque suavemente o coração; como Elias que, sobre o monte, “aguardava o Senhor passar” (1Rs 19,11)… Ou então dirigindo-Lhe pedidos pelas necessidades espirituais e materiais nossas e das pessoas queridas, não fazemos outra coisa do que alimentar a expectativa de sermos atendidos… A oração é sempre um “aguardar” o Senhor e confiar:  “Por que te entristeces, ó minh’alma, a gemer no meu peito? Espera em Deus! Louvarei novamente o meu Deus Salvador!” (Sl 42,5).

Peçamos a Nossa Senhora da Expectação que nos guie neste Advento! Ela, que passou nove meses em contínua adoração Àquele que, qual sacrário vivo, portava no seu ventre, ensinar-nos-á o verdadeiro espírito de oração. Que ela nos inspire, durante este Advento, propósitos concretos para rezarmos mais e melhor! Que nos contagie com a sua expectativa amorosa de mãe prestes a dar à luz e com a esperança firme de mulher de fé por excelência! E que nenhuma distração de final de ano, festas ou presentes ofusque o verdadeiro motivo da nossa espera: “o Menino com Maria Sua mãe” (Mt 2,11).
 

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