Jornal o São Paulo

Editorial

Doutrina católica, união internacional e esportes

Ainda que pouco reconhecido em nossa sociedade, o débito do mundo moderno com o Cristianismo é enorme. O progresso nunca é fruto apenas de um fator, mas seria difícil chegar à concepção de liberdade e de direitos humanos que temos hoje sem a mentalidade formada pelo Evangelho. Mesmo os avanços da ciência e da técnica se beneficiaram de uma religião que valorizava o mundo material e entendia o “livro da natureza”. 

Parece estranho, mesmo para nós cristãos, pensar que o maior evento esportivo mundial, a Copa do Mundo de Futebol da Fifa, tenha suas origens ligadas à Doutrina Social da Igreja. Mas é isso que acontece, como mostra uma reportagem publicada nesta edição do O SÃO PAULO. Na primeira metade do século XX, o criador da Copa do Mundo, Jules Rimet, foi um católico fervoroso, influenciado pelas ideias da então nascente Doutrina Social da Igreja. Presidente da Fifa, Rimet se colocou a questão de como auxiliar na luta por um dos maiores ideais do catolicismo: a paz e a harmonia entre os povos.

Encontros esportivos são ocasião de confraternização entre povos e países desde as Olimpíadas da Grécia Antiga, que serviam para o congraçamento entre as cidades-estados gregas, que frequentemente viviam em guerra entre si. Nos tempos modernos, as Olimpíadas foram retomadas com espírito similar. Seu principal idealizador, o Barão Pierre de Coubertin, também vinha de uma família católica e tinha sido formado com forte influência jesuíta. 

Como se vê, o ideal cristão de amor fraterno e união entre os povos, mesmo que gravemente corrompido em função dos cismas e guerras religiosas, permaneceu vivo e dando frutos inclusive na história recente.

Recentemente, a Igreja inclusive retomou sua reflexão sobre os esportes com o documento “Dar o melhor de si”, do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida. Lembrando São João Paulo II, o documento esclarece: 

“O esporte é alegria de viver, jogo, festa, e como tal deve ser valorizado e talvez redimido, hoje, dos excessos do tecnicismo e do profissionalismo mediante a recuperação da sua gratuidade, da sua capacidade de estreitar vínculos de amizade, de favorecer o diálogo e a abertura de uns aos outros, como expressão da riqueza do ser, bem mais válida e apreciável do que o ter, e, portanto, bem acima não só das duras leis da produção e do consumo, mas também de qualquer outra consideração puramente utilitarista e hedonista da vida” (Homilia da missa em celebração do Jubileu do Redentor, Roma 12 de abril de 1984).
 

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