Comportamento

Abas primárias

Ideologia de gênero e obesidade infantil

O tema não sai da pauta da sociedade. Está se tornando uma preocupação cada vez mais próxima e real de pais responsáveis que se veem envolvidos por todos os lados. O assunto já atinge todos os colégios, inclusive católicos. Está presente em propaganda de produtos de limpeza e outros. Não se salvam as revistas em quadrinhos infantis, sem esquecer a martelada constante em novelas e entrevistas. A ideologia de gênero se apresenta aos pais como a verdade que estava escondida há milênios para a correta educação sexual dos filhos. Será verdade mesmo!?

Se observarmos a obesidade infantil, esta sim uma preocupação enorme nos meios de saúde, veremos que a análise é totalmente diferente para um mecanismo de ação social muito semelhante. A obesidade infantil surgiu como decorrência de uma nutrição infantil totalmente errada, mas que dava muita satisfação às crianças e sossego aos pais. A indústria passou a lançar uma infinidade de produtos à base de carbo-hidratos e gorduras, com embalagens coloridas, sabor artificial variável, atraentes aos olhos e ao paladar. Assim como todos os vícios, os alimentos passaram a ser consumidos vorazmente pelas crianças, e pela facilidade de sua compra, os pais acomodaram-se e abandonaram as papinhas frescas trabalhosas, assim como a briga para comer verduras e frutas. Associe-se a isto o sedentarismo infantil, em que, ao invés de brincar praticando esportes, as crianças tornam-se prisioneiras de vídeo games que as mantém sentadas e entretidas por horas, deixando tempo aos pais para outras atividades. Hoje esta epidemia preocupa a todo pediatra que deseja um desenvolvimento saudável de seus pequenos clientes. Eles sabem, como médicos, as consequências num futuro próximo: diabetes, doença coronariana e hipertensão, artrose precoce por excesso de peso, depressão e todo um quadro clínico já evidenciado nas sociedades que abraçaram esta proposta nos últimos 30 anos.

Nenhum pai, ou pediatra, hoje, em sã consciência, afirmará que as crianças mudaram e que devemos respeitar sua vontade, deixando-as fazer opções fluidas. Isto seria de uma irresponsabilidade criminosa. É evidente que a criança fez escolhas erradas pela falta de discernimento. A sequência, no entanto, é bem conhecida. Se os pais e pediatras não fizerem nada, quem já está fazendo são as companhias de seguros. Prevendo as doenças num futuro precoce, já imaginam os prejuízos. Algumas já oferecem descontos para aqueles que documentem o esforço pela melhoria dos hábitos de vida. Do contrário, viveremos numa sociedade muito mais doente do que hoje. As campanhas para uma vida saudável estão escancaradas em sites e bancas de jornais, na tentativa de alertar a população que é preciso com urgência reverter estes hábitos firmados erroneamente nos últimos 20 ou 30 anos.

Da mesma forma, é possível acompanhar o desenvolvimento da “nova orientação sexual” nas escolas, por pedagogos, psicólogos, médicos, filósofos, sociólogos, que resolveram rever o antigo chavão da “idade das trevas” que sustenta a sexualidade dividida em homem e mulher, para ingressarmos no “período das luzes”. Nesta concepção, as crianças não podem sequer ser registradas com o sexo definido, que será determinado posteriormente. Não há problema nenhum, para eles, o indivíduo não saber o que é. Mesmo porque ele poderá, dentro desta ideologia, mudar quando quiser e pelo tempo que bem entender. E denominam isto de algo racional! E muitos ainda querem associar a isso uma conotação científica! Aqueles que estudarem embriologia humana saberão que não há qualquer base para essa afirmação absurda!

Mas como tantos “casos” se registram diariamente? Inicialmente deve-se afirmar que a grande quantidade de casos corresponde a uma parcela ínfima da população. Segundo que a pressão para que isto seja visto como normal já supera os mecanismos de lavagem cerebral. A mídia multiplica por milhares o que não passa de exceção. A tática, bem conhecida, já foi utilizada para aprovação do aborto, onde diziam morrer mais mulheres do que as existentes em idade fértil no país.  Esta é a verdade. E com isto muitos pais estão achando que devem ser omissos para não serem chamados de “arcaicos”, retrógrados ou desatualizados.

Conviver com respeito e dignidade com pessoas adultas que tomaram suas opções pessoais nos caminhos da sexualidade é um fato, mas querer que a educação de todas as crianças agora seja contaminada por uma ideologia de gênero é totalmente diferente. É irresponsável! Pessoas que seguem orientações sexuais diferentes do “tradicional” homem e mulher sempre existiram e existirão. O que é preciso estar atento é para o que se quer fazer com todas as crianças, deixando que assumam caminhos sem conhecerem os seus objetivos, riscos e consequências. Digo aos pais: não é hora de assistir a tudo de camarote silenciosamente. Se vocês estão preocupados com a obesidade infantil que provocará doenças precoces, cuidado quando tiverem de resolver as consequências de uma educação baseada na ideologia de gênero. Apesar de “todos” os recursos que serão certamente oferecidos, nunca será o suficiente para anular uma educação perversa.   

    

Dr. Valdir Reginato é médico de Família, professor da Escola Paulista de Medicina e terapeuta familiar.E-mail: vreginato@uol.com.br

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