Espiritualidade

Abas primárias

Descobrir a porta certa

Nossa atenção está, nessas semanas, em Roma, onde se realiza o Sínodo dos Bispos sobre a juventude, fé e discernimento vocacional. O tema da vocação me fez lembrar da história de um homem que passava por uma crise interior e decidiu descansar, durante uns dias, em um mosteiro. Chegando lá, deram-lhe um quarto em cuja porta havia um letreiro onde estava escrito o seu nome. Durante a noite, como não conseguia conciliar o sono, decidiu dar um passeio pelo imponente edifício do claustro. À sua volta, reparou que não havia luz suficiente para ler o nome dos letreiros das portas. Percorria os corredores, mas todas as portas pareciam-lhe iguais. Para não despertar os monges, passou a noite inteira dando voltas nos escuros corredores. Com a primeira luz do amanhecer, finalmente conseguiu distinguir a porta do seu quarto, diante da qual havia passado tantas vezes sem conseguir reconhecê-la. Seu deambular naquela noite é uma figura das nossas vidas: passamos muitas vezes na frente da porta que conduz ao caminho ao qual estamos chamados, mas nos falta luz para vê-lo.

Saber qual é a nossa vocação e missão é a questão mais importante que devemos resolver. A vocação é o encontro com a verdade sobre nós mesmos. Um encontro do qual nasce o compromisso, a missão de cada um e os planos de Deus para a própria vida.

O Papa Francisco falou disso aos jovens na JMJ do Rio de Janeiro: “Deus chama para escolhas definitivas, Ele tem um projeto para cada um: descobri-lo, responder à própria vocação significa caminhar na direção da realização jubilosa de si mesmo. A todos Deus nos chama à santidade, a viver a sua vida, mas tem um caminho para cada um.” Naquela mesma ocasião, o Papa contou aos jovens como ele decidiu entregar-se a Deus: “Nunca me esquecerei daquele 21 de setembro – eu tinha 17 anos – quando, depois de passar pela Igreja de San José de Flores para me confessar, senti pela primeira vez que Deus me chamava. Não tenham medo daquilo que Deus lhes pede! Vale a pena dizer “sim” a Deus. N’Ele está a alegria!” 

No processo de discernimento vocacional, geralmente distinguem-se três sinais fundamentais: 1. Ter condições e não ter impedimentos: “Ave, cheia graça, o Senhor é contigo”, diz o Arcanjo a Maria Santíssima. 2. Ter consciência da grandeza do chamado divino e sentir medo: “Não temas, Maria, porque encontraste graça diante de Deus!” Diante de um compromisso sério com Deus, que abarca a vida inteira, é natural sentir medo. 3. Querer. Decidir corresponder, dizer sim a Deus e colocar a vida nas suas mãos: “Faça-se em mim segundo a tua Palavra”. Uma coisa é certa: Deus não chama ninguém sem lhe conceder as condições necessárias para viver a sua vocação. Por isso, a falta de condições ou de aptidões mostra que não se tem essa vocação. Ao contrário, se a pessoa percebe que tem as condições necessárias e não há impedimentos, é grande a probabilidade de ter essa vocação. Por isso, o fato de uma pessoa considerar a possibilidade de ser chamada a um determinado caminho de entrega a Deus pode indicar que é bastante provável ser este o seu caminho. Quando Deus dá a luz da vocação, também dá a graça necessária para corresponder e para decidir com generosidade. 

No entanto, como a vocação é uma iniciativa divina, é fundamental cultivar uma vida de oração profunda, com a frequência aos sacramentos, especialmente a Confissão e a Eucaristia, assim como também receber uma orientação, uma direção espiritual frequente com um sacerdote ou uma pessoa com experiência na vida espiritual. Peçamos a Nossa Senhora que os nossos jovens tomem a decisão de corresponder com generosidade à sua vocação.

 

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