NACIONAL

Dia da Pátria

‘A corrupção não encontra espaço para conviver com a vida cristã’

Por Fernando Geronazzo
13 de setembro de 2017

Dom Devair Araújo da Fonseca presidiu a missa pela pátria, que foi sucedido pelo 23º Grito dos Excluídos, na Catedral da Sé, na quinta-feira, 7

Luciney Martins/O SÃO PAULO

O Dia da Independência do Brasil, na quinta-feira, 7, foi recordado na Arquidiocese de São Paulo com uma missa pela pátria, na Catedral da Sé, e um ato público do 23º Grito dos Excluídos, organizado por membros das pastorais sociais. Neste ano, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) propôs aos católicos uma jornada de oração pelo Brasil na Semana da Pátria, convidando-lhes a um dia de jejum e oração pelo País. 

A missa foi presidida por Dom Devair Araújo da Fonseca, Bispo Auxiliar de São Paulo e referencial da Coordenação Pastoral do Serviço da Caridade, Justiça e Paz. Na homilia, ele salientou que a escuta da Palavra deve ser ocasião para louvor e para iluminar a realidade e a vida do povo de Deus. “Nosso povo está sofrendo com o desemprego e com as incertezas que diariamente são notícia. É verdade que também existem notícias de reação positiva da economia, e da diminuição do desemprego. Mas, ainda estamos muito longe de ver restaurada a vida e a dignidade dos milhões de desempregados, pessoas que permanecem excluídas, e isso é um fato”, afirmou. 

Dom Devair lembrou, ainda, que a corrupção ocupa, cada vez mais, as manchetes e os debates públicos: “O mal da corrupção, que está alastrado e que impregnou as diferentes esferas da sociedade, não encontra espaço para conviver com a vida cristã”. 

Segundo o Bispo, nesses “tempos de águas revoltas”, é preciso praticar a virtude da fé, seguindo o exemplo do apóstolo Pedro no Evangelho proclamado na missa, que narra a pesca milagrosa no Mar da Galileia. “Apesar do cansaço de uma noite de trabalho sem resultado, Pedro não desistiu e em atenção à Palavra de Jesus, avançou para águas mais profundas e lançou as suas redes”

 

Discernimento

Diante desse cenário, destacou Dom Devair, tem crescido o desencanto das pessoas com as instituições e também com a política. “Infelizmente, ganham espaço os projetos pessoais e as iniciativas ideológicas, que em nada ajudam os mais pobres e excluídos, mas favorecem interesses de alguns”, acrescentou.

“A fé exige discernimento, e a Igreja, atenta aos sinais dos tempos e cumprindo sua função de mãe e mestra, ensina que ‘a política é uma forma sublime de exercer a caridade’, como disse o Beato Paulo VI. Por isso, é preciso separar aqueles que se acostumaram a fazer a política do interesse, daqueles que realmente se interessam pelos problemas sociais e por isso fazem política”, completou o Bispo.

 

Grito dos Excluídos

Após a missa, os membros das pastorais se concentraram na praça da Sé para o ato do Grito do Excluídos, iniciativa nacional apoiada pela CNBB, que neste ano teve como tema “Vida em primeiro lugar” e lema “Por direitos e Democracia, a luta é todo dia”.

Em São Paulo, foi dado destaque para as questões da violência contra a população em situação de rua e a realidade dos dependentes químicos na região conhecida como Cracolândia. Por isso, os participantes do ato realizaram uma caminhada até a Praça Princesa Isabel, onde atualmente está a maior concentração de usuários de crack. “São Paulo não pode se calar diante de tanta injustiça, corrupção e problemas sociais. Nos reunimos para mais uma vez darmos um grande ‘grito’ contra a exclusão social na nossa cidade e no nosso País”, afirmou Paulo Pedrini, Coordenador da Pastoral Operária e um dos organizadores do evento. 

 

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