A Igreja já está em campo

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14 de junho de 2018

O lançamento do documento “Dar o melhor de si”, no dia 1º, reforça a atenção que a Igreja tem dado ao esporte nas últimas décadas, incluindo a promoção de diferentes ações no âmbito esportivo.

NA SANTA SÉ

Arquivo Pessoal

No Vaticano, uma das iniciativas que acontece desde 2004 é a Oficina Igreja e Esporte, que tem estudado e promovido uma visão cristã do esporte, enxergando-o como caminho para a evangelização e a construção de uma sociedade mais justa, humana e pacífica. 

Também na década passada, foi criada a CLERICUS CUP, em 2007, a Copa dos Clérigos, organizada pelo Centro Desportivo Italiano; Departamento de Lazer, Turismo e Desporto da Conferência Episcopal Italiana; Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida; e o Conselho Pontifício para a Cultura. 

O Padre Ricardo Cardoso Anacleto, Pároco da Paróquia Nossa Senhora dos Remédios, na Arquidiocese de São Paulo, participou do torneio durante o período em que estudou em Roma, jogando como zagueiro no time do Colégio Pio Brasileiro. 

“A Clericus Cup foi pensada para que os sacerdotes e seminaristas tivessem a oportunidade de vivenciar o esporte com uma ação concreta, para que depois, em suas próprias paróquias e comunidades, pudessem incentivar tal prática. O intuito é criar a cultura da promoção social da juventude por meio do esporte”, afirmou ao O SÃO PAULO. Ele enalteceu o lançamento de um documento que fale da perspectiva cristã no esporte: “A formação esportiva ajuda a educar o caráter e a disciplina. Evidenciar isso é fantástico, pois para a juventude o esporte promove a cultura do encontro”. 

100 DIAS DE PAZ E CRUZ OLÍMPICA

Desde os Jogos de Londres 2012, a Igreja Católica, com a autorização do Comitê Olímpico Internacional (COI), promove o Projeto 100 Dias de Paz, levando até a cidade sede de cada Olimpíada a CRUZ OLÍMPICA e o ÍCONE DA PAZ. A ação ocorre no contexto a Trégua Olímpica, que propõe que entre sete dias antes do começo de cada edição dos Jogos Olímpicos e sete dias após o fim dos Jogos Paralímpicos se suspenda qualquer tipo de conflito no planeta. É uma tradição que a Trégua Olímpica seja assinada pela maioria dos países que fazem parte da Organização das Nações Unidas (ONU). 

NAS PARÓQUIAS E DIOCESES

O documento “Dar o melhor de si” estimula que haja iniciativas esportivas nas paróquias e dioceses. Na Arquidiocese de São Paulo, por exemplo, aconteceu em 2013 a corrida de rua Bote Fé na Vida, no contexto da Jornada Mundial da Juventude. 

Muitas também são as ações esportivas em paróquias da Arquidiocese. Na Nossa Senhora Aparecida, na Vila Carrão, na Região Belém, foi realizado em maio deste ano o Festival da Caridade, com jogos de futsal e arrecadação de alimentos. 

Na Paróquia São Vito Mártir, no Brás, na Região Sé, há um projeto permanente de karatê, coordenado pelo professor José Alberto de Siqueira Campos, mais conhecido por Corisco. Nessa iniciativa, crianças e jovens desenvolvem a concentração, disciplina e persistência por meio dessa arte marcial.Luciney Martins/O SÃO PAULO

Já na Comunidade São Benedito, da Paróquia Bom Pastor, na Região Brasilândia, existe a FAMÍLIA UNES, um grupo de jovens que faz reuniões semanais aos sábados à noite, e aos domingos pela manhã, após a missa na matriz paroquial, promove ações esportivas e recreativas, tendo, inclusive, um time de futsal. 

Também vale menção ao projeto de judô com crianças e jovens promovido pelo Arsenal da Esperança e a Paróquia Nossa Senhora Aparecida dos Ferroviários, na Região Sé; o PEDALAVOC, realizado anualmente pela Pastoral Vocacional da Região Ipiranga; e a participação da Caritas Arquidiocesana nas edições da Copa dos Refugiados.

ATENÇÃO DOS PAPAS

Os papas São João Paulo II, Bento XVI e Francisco, em muitas oportunidades, já se pronunciaram, especialmente em audiências com atletas e delegações esportivas, sobre o papel do esporte para o desenvolvimento humano integral. 

No Jubileu dos Esportistas, em outubro de 2000, em Roma, por exemplo, São João Paulo II disse que os esportistas “são chamados a fazer do esporte uma ocasião de encontro e de diálogo, para além de toda a barreira de língua, raça e cultura”. Em 2009, Bento XVI, durante um seminário de estudos sobre esporte, educação e fé, afirmou que “o esporte deve garantir uma formação humana e cristã para as novas gerações”. Francisco, durante a JMJ Rio 2013, ao recordar o amor dos jovens brasileiros pelo futebol, exortou: “Jesus nos pede que o sigamos por toda a vida, pede que sejamos seus discípulos, que joguemos no seu time”. 

Vale a lembrança ainda da estreita relação de dois destes papas com o futebol: JORGE MARIO BERGOGLIO (FRANCISCO) já teve carteirinha de torcedor do San Lorenzo, da Argentina; e KAROL WOJTYLA (JOÃO PAULO II) na juventude jogou como goleiro no futebol amador da Polônia e, após se tornar papa, muitas vezes foi fotografado esquiando.

PASTORAL DO ESPORTE

Desde 2008 na Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro existe a Pastoral do Esporte, que se propõe a mostrar a importância da prática esportiva para uma caminhada comunitária, com o objetivo de impactar distintas esferas sociais, com atividades que complementam a ação evangelizadora. 

“Estamos reestruturando a Pastoral do Esporte. Cada paróquia terá um representante ou um coordenador. Periodicamente, ao nos reunirmos, organizamos eventos na dimensão de fazer com que a Arquidiocese e as pastorais unam-se por meio da experiência do esporte”, afirmou, à reportagem, o Padre Marcus Vinícius Antunes da Trindade, Assessor Arquidiocesano da Pastoral do Esporte.

Na avaliação do Sacerdote, o fato de a Igreja agora ter um documento específico sobre o esporte reforça a atenção que historicamente ela sempre deu a essa temática. “No esporte coletivo não se joga sozinho, e na experiência da Igreja também não estamos sozinhos. É importante essa analogia para que possamos olhar o esporte com outros olhos. Não que o esporte esteja acima da Doutrina Social da Igreja, mas sim que devemos aproveitar o que ele tem em sua essência, mas que ao longo dos anos foi se desviando pela especulação econômica, política e uso do esporte para outras finalidades”, concluiu. 

Imagens: Arquivo Pessoal, Luciney Martins/O SÃO PAULO, Arquivo Pessoal, Pastoral Vocacional da Região Ipiranga, Vatican Media e Vatican Media
(Com informações de Canção Nova, Vatican News, ACI Digital, Agência Brasil e programa Camisa 9 da rádio 9 de Julho)
(Colaborou: Jenniffer Silva)
 

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‘Dar o melhor si’ no esporte e em toda vida

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14 de junho de 2018

Apresentar um olhar da Igreja sobre os múltiplos aspectos que envolvem os esportes atualmente é a proposta do documento “Dar o melhor de si”, lançado no dia 1º, no Vaticano, pelo Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida.

Estruturado em cinco capítulos, o texto fala dos propósitos e motivações do diálogo entre Igreja e esporte, resgata as origens da prática esportiva e sua incidência atual, aprofunda a compreensão antropológica sobre o esporte, trata de desafios para a promoção esportiva mais justa e humana, e apresenta os esforços contínuos da Igreja com vistas a garantir a humanização dos esportes.

Leia também: "A Igreja já está em campo"

 

POR QUE O INTERESSE POR ESSE TEMA?

De acordo com o texto, a Igreja deseja contribuir com a construção de um esporte que seja cada vez mais autêntico e humano, na medida que este “é universal e tem alcançado um novo nível de importância em nosso tempo e também, por isso, encontra um eco no coração do povo de Deus”.

Em uma das partes, recorda-se um discurso do Papa Francisco à Federação Italiana de Tênis, em maio de 2015, no qual o Pontífice ressalta que “a Igreja se interessa pelo esporte porque o homem lhe interessa, todo homem, e reconhece que a atividade esportiva incide na formação da pessoa, em suas relações e em sua espiritualidade”. Nesse sentido, a Igreja não só apoia o esporte, mas quer nele estar por considerá-lo um moderno pátio dos gentios e um areópago para o anúncio da Boa Nova. 

 

MAS A IGREJA NÃO É CONTRA O ESPORTE?

Logo nas primeiras linhas do documento, é enfatizado que por conta da postura de alguns católicos na idade média e na idade moderna, disseminou-se uma interpretação equivocada de que a Igreja tem um ponto de vista negativo sobre o esporte. O texto pontua que, na verdade, a Igreja está em diálogo com o esporte desde a sua existência, e cita como exemplo as metáforas que São Paulo Apóstolo usava para explicar a fé e a vida cristã a todos os povos. Lembra, ainda, que desde o começo da idade moderna, a Igreja tem interesse pelo potencial educativo do esporte. Também é recordado que no século XX, os papas Pio XII e Paulo VI intensificaram o diálogo da Igreja com o mundo do esporte, ao destacarem aspectos comuns à prática esportiva e à vida cristã. 

 

CARACTERIZAÇÃO E POTENCIALIDADES

O texto lembra que não há uma definição consensual sobre o que seja esporte, mas destaca que essa prática tem cinco características básicas: refere-se ao corpo humano em movimento, é lúdica, está sujeita a regras, é competitiva e deve garantir a igualdade de oportunidades aos participantes. 

O esporte tem um valor em si “como um campo de atividade humana, onde virtudes como a sobriedade, humildade, valentia e paciência podem encontrar-se e fomentar a beleza, a bondade, a verdade e onde se pode testemunhar a alegria”. 

 

EM FAVOR DO SER HUMANO

A perspectiva cristã perante o esporte tem como ponto de partida o fato de que toda a pessoa é criada por Deus, em uma unidade de corpo, alma e espírito. 

O esporte ajuda no desenvolvimento de cada ser humano na medida em que faz com que este “se sinta capaz de criar um ambiente que combine liberdade e responsabilidade, criatividade e respeito pelas regras, entretenimento e solidariedade. Esse ambiente é gerado por meio da colaboração e acompanhamento mútuo no desenvolvimento dos talentos individuais”. 

Nesse ponto, o documento cita aspectos dos esportes que sempre devem ser valorizados, tais como o fair play e o jogo limpo, com obediência às regras e à justiça no trato com o adversário; o jogo em equipe - “nos esportes, os dons e talentos de cada pessoa em particular se põem a serviço da equipe”; o sacrifício em busca de uma meta; o estímulo à alegria daqueles que praticam ou acompanham os esportes; o desenvolvimento harmonioso da pessoa, a valentia (enquanto uma escolha corajosa de sempre agir de modo correto); a igualdade; o respeito entre as pessoas; e a prática da solidariedade. 

 

‘BOLAS FORAS’

O texto alerta que, por vezes, o esporte pode se voltar contra a dignidade e os direitos do ser humano, e nesse sentido há a exortação de que todos os envolvidos com as práticas esportivas se perguntem se seus atos estão a serviço da humanidade e da justiça. 

Entre os riscos apontados estão o uso do esporte para propósitos políticos, demonstração de poder, busca de benefício econômico ou autoafirmação nacionalista. Também há críticas ao comportamento de buscar a vitória a qualquer custo, ferindo a dignidade dos esportistas; aos abusos físicos, sexuais e emocionais contra crianças; e a todo tipo de discriminação. 

Especialmente quatro riscos são lembrados diante do atual cenário de busca desenfreada pelo êxito e de interesses econômicos no esporte: a degradação do corpo, para que não seja reduzido a um objeto ou utilizado como uma máquina em busca dos melhores resultados; o doping, seja físico ou mecânico (quando da alteração irregular de equipamentos esportivos em busca de melhores resultados); a corrupção - “o esporte não deve parecer um espaço sem direitos no qual não se aplique os padrões morais de coexistência leal e humana”; e a postura dos torcedores, que pode se tornar desrespeitosa com os árbitros e adversários, redundando em violência verbal ou física, e até  em disseminação de racismo e de ideologias extremistas. 

 

RESPONSABILIDADE COMPARTILHADA

Para que o esporte não seja conduzido a tais situações, o documento aponta ser indispensável a ação de diferentes agentes sociais. “A responsabilidade não recai somente sobre os atletas ou participantes, mas em muitas outras pessoas, como seus familiares, treinadores e seus auxiliares, médicos, dirigentes, espectadores e muitos atores conectados ao esporte por meio de outras áreas, como os pesquisadores do esporte, líderes políticos e empresários ou os representantes da mídia”. 

 

AÇÃO PASTORAL NO ESPORTE

A última parte do documento aponta que a Igreja sente-se corresponsável pelo desenvolvimento e destino do esporte e, por isso, busca dialogar com as diferentes organizações esportivas e governos. 

“O esporte é um âmbito em que se experimenta de forma muito concreta o convite a ser uma Igreja que vai ao encontro, não para construir muros e fronteiras, mas sim pontes e ‘hospitais de campanha’”, aponta o texto. 

O documento menciona que o diálogo entre Igreja e esporte tem produzido uma proposta multifacetada sobre o cuidado pastoral, em especial em colégios, paróquias e associações católicas.

Em sua ação pastoral no âmbito esportivo, a Igreja tem a missão de lembrar aos pais que eles são os primeiros educadores de seus filhos na fé e no esporte; nas paróquias e dioceses podem ser promovidos grupos e atividades esportivas; os sacerdotes devem ter conhecimento razoável sobre as realidades e tendências esportivas, especialmente as que afetam a juventude; deve haver um plano pastoral adequado para o acompanhamento de atletas, ex- -atletas e torcedores; além de um diálogo com os que atuam na ciência e medicina esportiva, bem como os treinadores.

Ressalta-se, ainda, que os agentes pastorais no esporte devem estar treinados e motivados “para redescobrir o sentido do esporte em um contexto educativo e envolver-se para conseguir em sua missão dar uma visão cristã ao esporte”. 

 

DAR O MELHOR DE SI

Na conclusão, é recordado que “o esporte é um contexto em que muitos jovens e adultos, de todas as culturas e tradições religiosas, aprendem a dar o melhor de si mesmo” e que, “por meio da prática do esporte se pode experimentar a alegria, o encontro com pessoas diferentes e a construção de um sentido de comunidade”.
 

 

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CPTM: Estação Barra Funda recebe mostra “Recortes da Copa”

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13 de junho de 2018

A partir desta segunda-feira (11), a CPTM entra no clima do Mundial de Futebol com a exposição “Recortes da Copa”, na Estação Palmeiras-Barra Funda, que atende as linhas 7-Rubi e 8-Diamante. Itinerante, a mostra ficará em cartaz no mezanino da Estação até dia 2 de julho.

Depois, segue para o Espaço Cultural da Estação Brás, onde fica até 1º de agosto exibindo 30 fotografias clicadas pelos alunos do curso “Olhares sobre a Cachoeirinha”. As imagens do futebol praticado na periferia revelam outra realidade do esporte ao evidenciar as condições de vida da população local.

As aulas foram ministradas na Fábrica de Cultura Vila Nova Cachoeirinha e Casa de Cultura Vila Brasilândia, com apoio da Fundação Stickel. Em cada período de curso, ocorreram 17 encontros de três horas, em que as imagens foram produzidas.

A iniciativa é realizada com apoio da CPTM, que abre espaços em suas estações para mostras de arte, exposições, apresentações e manifestações culturais de artistas e instituições parceiras, com o objetivo de apoiar e difundir a arte popular.

Fundação Stickel

A Fundação Stickel é uma organização sem fins lucrativos que promove a inclusão social, cultural e econômica por meio da arte, atuando com pessoas e comunidades nos bairros Brasilândia e Vila Nova Cachoeirinha.

Para tanto, promove atividades culturais diversas nos campos da pintura, desenho, cinema, fotografia e literatura, por meio de exposições, cursos, oficinas, ações, edição e distribuição gratuita de livros, dentre outras ações que envolvem a arte educação.

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Primeiro treino da seleção na Rússia é aberto aos torcedores

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12 de junho de 2018

Cerca de 4 mil torcedores estiveram presentes na arquibancada do campo do Centro de Treinamento da Seleção Brasileira, ao lado do Swissotel Resort Camélia, onde está hospedada a delegação do Brasil, em Sochi, para o primeiro treino da equipe canarinha na Rússia.

Assim que os jogadores começaram a chegar, a torcida, formada em sua maioria por russos e turistas estrangeiros, aplaudia e chamava os jogadores pelo nome. Até um viaduto que fica ao lado do campo foi ocupado.

Com uma manhã ensolarada, céu azul e uma temperatura média de 25 graus Celsius, Tite (Adenor Bachi) e seus auxiliares começaram a orientar os atletas. Eles foram divididos em grupos de trabalho. Os que começaram o jogo contra a Áustria trabalharam apenas a parte física. Já os que entraram durante a partida ou não jogaram, fizeram atividades com bola em uma parte do campo.

Ao mesmo tempo, no outro lado do gramado, os goleiros Alisson, Ederson e Cássio treinavam com o preparador Taffarel. O meio campista Fred, que se recupera de uma lesão, não participou do treino aberto ao público. Ele ficou fazendo fisioterapia no campo 1 distante dos torcedores.

No fim do treino, os jogadores prepararam uma brincadeira surpresa para os aniversariantes do dia: Philippe Coutinho e Fágner. Como é costume entre os jogadores, Coutinho e Fágner foram homenageados com um banho de farinha e ovos pelos companheiros, divertindo os torcedores. Os jogadores foram também à beira do gramado e tiraram fotos com a torcida.

O Brasil estreia na Copa do Mundo domingo (17), às 15h (horário de Brasília), contra a Suíça, em Rostov.

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Time do Senegal vence Copa dos Refugiados em Porto Alegre

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06 de junho de 2018

A seleção do Senegal foi a grande campeã da etapa Porto Alegre da Copa dos Refugiados, torneio realizado pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e instituições parceiras. Representantes do país africano derrotaram o Líbano na final, em partida disputada no último domingo (3), no estádio Beira-Rio. Jogo acirrado terminou sem gols e foi decidido nos pênaltis. Senegal sagrou-se campeão ao acertar três cobranças contra uma da equipe libanesa.

Com a participação de mais de cem refugiados e migrantes, a competição na capital do Rio Grande do Sul reuniu oito seleções, representando Angola, Colômbia, Guiné Bissau, Haiti, Líbano, Peru, Senegal e Venezuela. As quartas de finais aconteceram no sábado, no estádio Passo D’Areia, do Esporte Clube São José. No dia seguinte, as semifinais e o jogo de encerramento ocuparam os gramados do Beira-Rio.

Para assistir aos jogos nas duas arenas do futebol gaúcho, foi cobrado um ingresso único no valor de dez reais, que será destinado ao projeto Tunipiquês – ação social que vai promover cursos gratuitos de português e cultura brasileira, visando facilitar a inserção dos refugiados na sociedade e no mercado de trabalho.

A Copa dos Refugiados também realizou uma atividade de empregabilidade, com o cadastramento dos currículos dos refugiados, que serão encaminhados para empresas da indústria, comércio e serviços do Rio Grande do Sul.

Também será produzido um álbum de figurinhas do campeonato, com fotos e minicurrículos dos jogadores. O regulamento da competição e o sistema de sorteio da tabela de jogos foram elaborados com apoio da Federação Gaúcha de Futebol, que cedeu a arbitragem para os jogos.

Confira os resultados de todas as partidas em Porto Alegre:

02/06 – Estádio do Passo D’Areia
Quartas de final
Senegal 2 x 0 Colômbia
Peru 2 x 0 Haiti
Angola 4 x 1 Venezuela
Líbano 1 x 1 Guiné Bissau – nos pênaltis, 5×4 para o Líbano.

03/06 – Estádio Beira-Rio
Semifinais
Senegal 1 x 0 Angola
Peru 0 x 5 Líbano

Final
Senegal 0 x 0 Líbano – nos pênaltis, 3 x 1 para o Senegal

Campeonato nacional

A etapa Porto Alegre faz parte de um torneio nacional: a Copa do Brasil dos Refugiados. Os jogos do último final de semana marcaram a segunda edição do torneio na capital gaúcha. Em julho, acontece a quinta edição da Copa em São Paulo e, em agosto, a primeira Copa dos Refugiados no Rio de Janeiro, com partidas nos estádios de São Januário e Engenhão.

Os vencedores das etapas em cada uma das três capitais vão disputar as finais nacionais em setembro, no estádio do Pacaembu, em São Paulo.

Em Porto Alegre, a Copa dos Refugiados foi realizada pela Ponto Agência de Inovação Social, em parceria com a ONG África do Coração, e promovida pelo ACNUR com o apoio do Sport Club Internacional, BRIO, Federação Gaúcha de Futebol, Esporte Clube São José, Secretaria de Desenvolvimento Social e Esporte de Porto Alegre, Associação Buriti de Arte, Cultura e Esporte (ABACE), Associação Antônio Vieira (ASAV), Beat Conteúdo e Relacionamento, Agência Matriz, Fuerza Studio, Uniritter e Sociedade Libanesa. O evento é patrocinado pela Sunrice, marca de arroz que destina 25% do faturamento obtido com os royalties da venda dos seus produtos para projetos para refugiados dentro e fora do Brasil.

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Os desafios de Rogério Caboclo, novo presidente da CBF

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08 de mai de 2018

Rogério Langanke Caboclo (foto), diretor-executivo da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), de 45 anos, foi eleito, em 17 de abril, presidente da entidade máxima do futebol brasileiro. 

O novo mandatário, que teve apoio de Marco Polo Del Nero, ex-presidente da CBF recentemente banido do futebol pela Fifa (leia detalhes abaixo), será o 20º Presidente da história da CBF, com mandato de abril de 2019 a abril de 2023, tendo inúmeros desafios pela frente. 

ELEIÇÃO

Em março de 2017, ocorreu uma alteração no estatuto da CBF, que concentrou ainda mais o poder nas federações estaduais. Essa foi a primeira eleição após as mudanças, que, além de Caboclo, elegeu oito vice-presidentes. 

A votação foi realizada em três etapas, em urnas distintas. A primeira urna foi das 27 federações (votos com peso 3), a segunda dos clubes da Série A de 2018 (votos com peso 2) e a terceira urna com votos dos times da Série B deste ano (votos com peso 1).

Todas as 27 federações votaram a favor do novo Presidente e, dos 20 times da Série A do Campeonato Brasileiro, apenas o Corinthians votou em branco, o Flamengo se absteve e o Atlético-PR não enviou representante. 

Segundo o jornalista William Douglas, especialista em jornalismo esportivo e negócios de esporte, pouca coisa deve mudar na relação da entidade com os clubes opositores “Eles devem manter uma relação institucional, pois não sabemos o que os clubes que não votaram no Caboclo querem, pois não apresentaram uma nova proposta na mesa”, afirmou ao O SÃO PAULO . 

PRINCIPAIS DESAFIOS

Caboclo já foi diretor-executivo do São Paulo Futebol Clube e ingressou na Federação Paulista de Futebol, em que ocupou o cargo de vice-presidente, tendo permanecido na entidade de 2002 a 2015. Foi ainda diretor de Relações Institucionais do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo de 2014. Desde 2014, é o CEO da Confederação Brasileira de Futebol.

“Nossa gestão será marcada por dois pilares: eficiência e integridade. Acredito em processos e sou cumpridor de regras. Ser eleito presidente da CBF é uma honra e garanto que vou dialogar com todos e aplicar soluções com eficiência”, disse Rogério Caboclo no seu primeiro discurso após as eleições. 

Um dos desafios do novo Presidente será separar a sua imagem da de Del Nero e recuperar a credibilidade da entidade. Também precisará lidar com a oposição dos clubes com maiores torcidas do Brasil, Corinthians e Flamengo. 

“Ele terá uma pressão pela modernização de algumas coisas no esporte, como uma grande reformulação no futebol feminino, que ganhou uma visibilidade, que precisa de um apoio maior da CBF. Isso tem sido alertado nos últimos anos. E uma transparência de gestão que será cada vez mais cobrada”, declarou William Douglas. 

(Colaborou: Jenniffer Silva)
(Com informações de CBF, Globoesporte.com e Agência Brasil)
 
 
 

DEL NERO É BANIDO DO FUTEBOL

O Comitê de Ética da Fifa baniu, na sexta-feira, 27, Marco Polo Del Nero de todas as ações relacionadas ao futebol. A punição o impede de exercer para sempre qualquer atividade tanto em nível nacional quanto internacional.

Del Nero começou a ser investigado pelo Comitê em novembro de 2015, por suspeita de envolvimento em esquemas de recebimento de propina para beneficiar empresas de mídia e de marketing em torneios de futebol, como as copas América, do Brasil e Libertadores.

Segundo o Comitê de Ética da Fifa, Del Nero foi considerado culpado por recebimento de propina e envolvimento em corrupção, por oferecer e aceitar presentes ou outros benefícios e por conflito de interesse, entre outros. Além disso, a Fifa impôs ao Ex-presidente da CBF uma multa equivalente a R$ 3,5 milhões.

Desde dezembro de 2017, quando Del Nero foi suspenso preventivamente pelo Comitê de Ética da Fifa, a CBF está sendo comandada por Antonio Carlos Nunes, o Coronel Nunes, até então vice-presidente mais velho, que deve seguir no cargo até abril de 2019.

 

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Campanha ‘Esporte Sem Assédio’ une forças para combater a violência

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23 de abril de 2018

O Ministério do Esporte e a Secretaria Nacional de Políticas para Mulheres (SPM) lançaram, em 29 de março, no Rio de Janeiro, o programa “Esporte Sem Assédio”. 

A iniciativa é o primeiro passo dado em âmbito nacional com o objetivo de prevenir e combater a violência e o assédio às atletas brasileiras, sejam amadoras ou profissionais. 

 

PRIMEIRAS MEDIDAS

Entre as medidas tomadas está a Central de Atendimento à Mulher da SPM, pelo ligue 180, adotada como canal de denúncia tanto no Brasil como no exterior.

Com o programa, estão sendo realizados a capacitação dos atendentes para receber as denúncias de atletas, a criação e implementação de fluxo de assistência psicossocial e jurídica, o tratamento das informações recebidas por meio de indicadores padronizados e o monitoramento. O programa prevê, também, a efetivação de protocolo único entre o Ministério do Esporte, a SPM, o Conselho Nacional de Justiça e a Rede Nacional de Enfrentamento à Violência. 

“Essa parceria nasceu porque é preciso falar sobre assédio no esporte. É uma coisa muito séria. Precisamos falar sobre isso e fazer com que as mulheres possam se sentir seguras para denunciar e para que possamos prevenir o assédio”, afirmou a Secretária Nacional de Políticas para Mulheres, Fátima Pelaes, na cerimônia de lançamento do programa. 

Sob a hashtag #EsporteSemAssédio, a campanha também está sendo veiculada em redes sociais. Vinte e seis atletas, ex-atletas e personalidades do esporte já gravaram vídeos em prol da causa. 

No dia 1º, as finais de campeonatos estaduais contaram com ações da campanha em estádios na Bahia, em Pernambuco e no Rio de Janeiro. Atletas entraram em campo com camisetas do programa, e faixas e vídeos foram exibidos.

 

A LUTA DE JOANNA MARANHÃO

A nadadora pernambucana Joanna Maranhão, 30, começou a nadar aos 3 anos de idade, em Recife (PE). Aos 17 anos, já estava na Olimpíada de Verão de 2004 em Atenas, na Grécia, e alcançou um impactante quinto lugar na prova dos 400 metros medley. A atleta já conquistou oito medalhas em Jogos Pan-americanos, sendo três de prata e cinco de bronze.

Em 2008, Joanna revelou que havia sido molestada por seu antigo treinador. Após contar sobre o trauma, mergulhou na terapia como forma de enfrentar as reminiscências do abuso sexual que ajudaram a moldar sua personalidade – e lhe renderam inúmeras crises de pânico, ansiedade e depressão.

A nadadora é ativa no combate a violências que crianças e jovens possam sofrer. “Fui vítima de abuso aos 9 anos pelo meu técnico da época e demorei muito para verbalizar. Estive em quatro Jogos Olímpicos, mas poderia não ter ido a nenhum se não tivesse o apoio psicológico e jurídico que tive. Muitas outras crianças não têm essa ajuda”, declarou a atleta durante o lançamento do “Esporte Sem Assédio”.

 

O RECOMEÇO

Em 2014, uma década após sua estreia em Atenas, Joanna anunciou sua aposentadoria do esporte. Quedas de performance e desilusões com a modalidade a fizeram abandonar a carreira, mas o sonho de disputar uma olimpíada no Brasil falou mais alto. Nos jogos, acabou não se classificando para as finais dos 200 metros medley e borboleta e deixou a Rio 2016 sem uma medalha. No final do ano, ainda foi despedida do Clube Pinheiros. Parecia que a atleta havia cruzado, enfim, a linha de chegada. Mas era apenas o recomeço. 

No Mundial de Budapeste, em julho de 2017, Joanna bateu o recorde sul-americano nos 200 metros medley e, no mês seguinte, ainda saiu com o melhor índice técnico do Troféu José Finkel, principal torneio de natação do país, com seis medalhas de ouro. Os bons resultados motivam a nadadora, que fala até em disputar a Olimpíada de Tóquio em 2020.

(Com informações de Ministério do Esporte, Globo.com e El País)
 

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Torcedores de diferentes clubes mostram que é possível torcer em harmonia

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11 de março de 2018

Em dezembro de 2016, as principais torcidas organizadas paulistas se reuniram, na Praça Charles Miller, em frente ao Estádio do Pacaembu, para um ato em homenagem às vítimas do acidente com o avião da Chapecoense, ocorrido em novembro daquele ano, que resultou em 71 mortos, entre jogadores, comissão técnica, tripulantes e jornalistas. 

Naquela ocasião, em frente ao estádio, o clima de harmonia entre os torcedores mostrou que é possível amar um clube sem enxergar o rival como inimigo. Outras inciativas, muitas vezes desconhecidas, acontecem para mostrar que não é necessária uma tragédia para que o respeito e a paz entre as torcidas prevaleçam. 

 

RIVAL NÃO É INIMIGO

No “Bar do Santos”, na rua Oberwil, 97, no Lauzane Paulista, na zona Norte, o clima de paz entre torcedores de diferentes clubes é parte da rotina. Inaugurado na década de 1980 pelo senhor Mario Vieira, santista de coração, o estabelecimento passou a ser administrado por Sidney Vieira, quando o pai se aposentou. China, como é popularmente conhecido, é são-paulino, mas manteve a tradição e decoração santistas do local em homenagem ao pai.

Segundo China, o amor por outro clube, contrariando o pai, seus quatro irmãos e toda sua família que torcem para o alvinegro praiano, surgiu de forma inusitada, após a partida final do Campeonato Paulista de 1978, entre Santos e São Paulo. A competição foi decidida em três jogos finais: o São Paulo venceu o primeiro por 1 a 0; o Santos, o segundo por 2 a 1; e, na última e decisiva partida, o Santos perdeu por 2 a 0, mas se sagrou campeão, devido ao melhor saldo de gols. “Eu criança, vendo aquilo, e todos da família gritando ‘campeão, campeão’, resolvi virar são-paulino”, afirmou o dono do estabelecimento em entrevista ao O SÃO PAULO . 

No local que reúne pessoas apaixonadas por futebol, uma tradição antiga é a de, em dias de jogos, torcedores de vários times se reunirem para acompanhar as partidas. A rivalidade “fica pra escanteio”, e o respeito e a amizade prevalecem. 

“Nós vamos para nos divertir. Lá estão famílias e amigos, pois antes de torcedores de futebol, somos amigos. O futebol é isso: brincar com o outro, nada de agredir, pois a maioria dos frequentadores são pais de família, e futebol é paz e divertimento”, afirmou, à reportagem, Sidney Francisco dos Santos, frequentador do estabelecimento.

“Graças a Deus, nunca teve brigas ou desentendimentos. Todos assistem aos jogos na maior paz do mundo. Um brinca com o outro, mas todos se respeitam como uma família mesmo”, garantiu China.

 

AMOR QUE SUPERA A RIVALIDADE

Maria Antonia, mãe do goleiro Jailson, titular do Palmeiras, é corintiana e tem o símbolo do clube alvinegro tatuado na pele. Mesmo com o coração divido, ela foi à Arena Corinthians com a filha Luana, irmã do goleiro, no dia 24 de fevereiro, para assistir ao derby paulista. 

As duas se dividiram entre torcer para o Corinthians e para o goleiro adversário. A mãe, provavelmente, foi a única torcedora do Timão a não comemorar o primeiro gol do jogo, marcado por Rodriguinho, na vitória do alvinegro por 2 a 0.

Maria Antonia ainda viu seu filho ser expulso e sair revoltado com a arbitragem. O coração corintiano só amoleceu após o gol de Clayson, quando Jailson já não estava mais em campo, a mãe se permitiu torcer contra a equipe que o filho defende.

(Com informações de Uol e Globoesporte.com)
 

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Nas arquibancadas, a violência ‘joga contra’ o futebol

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25 de fevereiro de 2018

A paixão pelo futebol parece ter nascido com o brasileiro desde que esse esporte foi trazido ao País, em 1894, por Charles Miller, que, após um período de estudos na Inglaterra, trouxe uma bola e um conjunto de regras na bagagem.

Com a popularização da prática, os estádios ficaram cada vez mais cheios, mas nem tudo é alegria nessa história. As brigas entre torcidas também começaram a fazer parte da cultura do futebol, e é crescente a preocupação com a busca de caminhos para encontrar a paz nos estádios.

TORCIDAS ORGANIZADAS

Na década de 1940, grupos começaram a se reunir para frequentar os estádios juntos, e foi assim que surgiram as primeiras torcidas organizadas no Brasil. No início, os torcedores se reuniam nas próprias sedes dos clubes para ir aos jogos e ficavam em um determinado setor das arquibancadas. Porém, na década de 1960, os grupos deixaram de ter relação com as diretorias dos clubes. E foi justamente no período da ditadura militar no Brasil, entre as décadas de 1960 e 1980, quando os jovens se reuniam nas ruas em busca de paz, igualdade e liberdade de expressão, que surgiram as primeiras torcidas organizadas, que lutavam pela democracia e a busca de maior participação nas decisões dos clubes.

SUPERAÇÃO DA VIOLÊNCIA

Atualmente, quando se fala em torcidas organizadas, a primeira coisa que se pensa é em violência, apesar de muitas realizarem ações positivas e projetos sociais.

No intuito de aumentar o diálogo entre as organizadas, em dezembro de 2014 surgiu a Associação Nacional das Torcidas Organizadas (Anatorg), que hoje conta com 119 torcidas associadas. Elas participam de reuniões com o Ministério do Esporte e atuam para o entendimento entre torcidas rivais.

“Esta tentativa das próprias torcidas, de promover, de alguma forma, esse diálogo entre elas e com o poder público, parece-me ter sido muito bemsucedida”, afirmou, ao O SÃO PAULO, Felipe Tavares Paes Lopes, Professor do Mestrado em Comunicação e Cultura na Universidade de Sorocaba e estudioso sobre violência no futebol.

Após uma série de incidentes, sobretudo na década de 1980, o poder público vem adotando medidas para tentar conter a violência dentro e fora dos gramados. Em São Paulo, por exemplo, o Ministério Público do Estado e a Secretária de Segurança Pública adotaram a torcida única em clássicos. Assim, apenas torcedores da equipe mandante do jogo podem ir ao estádio. A medida foi implementada em abril de 2016, após um confronto entre integrantes das torcidas Mancha Alvi Verde e Gaviões da Fiel, que deixou dezenas de feridos e um morto.

Segundo Felipe Lopes, a adoção da torcida única não resolve o problema. “A maior parte dos enfrentamentos ocorre fora dos estádios, então, um clássico com torcida única, por exemplo, não evita esse tipo de enfrentamento”, afirmou, lembrando, ainda, que em algumas situações ocorrem confrontos até entre torcedores do mesmo time.

Em julho de 2017, na sede da Federação Paulista de Futebol (FPF), o Ministério Público e Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo dialogaram sobre o retorno da torcida visitante aos clássicos, mas descartaram essa possibilidade ao constatar que desde a adoção da torcida única, houve redução de 50% no número de confrontos, e os jogos demandaram 33% menos policiais. Além disso, segundo o MP, os 27 clássicos com torcidas únicas aumentaram em 25% a quantidade de público.

ESTATUTO DO TORCEDOR

O Estatuto do Torcedor (lei nº 10.671/2003) busca uma normatização mais racional das atividades esportivas, com especial foco para o futebol. “Nós temos um estatuto especializado no torcedor, são poucos os países que têm uma legislação, em que estão especificados uma série de comportamentos que não podem ser realizados dentro do próprio âmbito esportivo”, afirmou Felipe Lopes.

Em um dos artigos do Estatuto (Art. 2-A), há a previsão de que a torcida organizada precisa manter um cadastro atualizado de seus associados e membros. As punições aos envolvidos em brigas e confrontos estão presentes em outro artigo (Art. 39), que prevê que a torcida e seus associados que promoverem tumulto, incitação à violência ou invasão de local restrito no estádio, estarão impedidos de frequentarem eventos esportivos. Além disso, a torcida organizada é responsável civilmente por danos cometidos pelos seus membros ou associados no local do evento esportivo, em suas imediações ou no trajeto de ida e volta.

INICIATIVAS POSITIVAS

De acordo com Felipe Lopes, o que ainda não há no Brasil, mas que já acontece em países como a Alemanha, Bélgica e Colômbia, são projetos de prevenção à violência das torcidas organizadas.

Na Alemanha, no início da década de 1980, surgiu a iniciativa Fanprojekt (Projeto Torcidas), que aposta em medidas sociopedagógicas que envolvem os clubes e seus torcedores. A ação conta com espaços físicos nos grandes centros do futebol alemão, onde os torcedores se encontram. A iniciativa se expandiu rapidamente para outros países da Europa, como a Bélgica.

“Os espaços contam com educadores e assistentes sociais, que de alguma forma participam da mediação dos torcedores e destes com o poder público, para uma cultura menos violenta que forma um torcedor menos intolerante”, concluiu Felipe.
O Brasil possui uma comissão específica, conhecida como Comissão Paz no Esporte, fundada em 2004, com o principal objetivo de elaborar medidas concretas de combate à violência relacionada ao esporte em geral e ao futebol em particular. A Comissão também promove reuniões plenárias com especialistas no assunto, além de fazer visitas em países como Inglaterra, Espanha, Bélgica, Holanda, Portugal e Alemanha para estudar as iniciativas de combate à violência.

Alguns clubes também têm agido pela paz entre as torcidas. Em 1º de março de 2015, o clássico gaúcho entre Grêmio e Internacional entrou para história. Um setor do Estádio Beira-Rio foi reservado para uma torcida mista, com colorados e gremistas torcendo lado a lado. A iniciativa partiu da diretoria do Internacional. Desde então, já ocorreram oito jogos entre as equipes com o setor misto.

(Colaborou: Jenniffer Silva)
(Com informações de Ministério do Esporte, UOL e Gazeta Esportiva)

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Estádio do Nacional: patrimônio histórico do futebol paulista

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16 de janeiro de 2018

Após 14 anos driblando as empreiteiras, que fizeram inúmeras ofertas para adquirir seu valorizado terreno no bairro da Água Branca, na zona Oeste da Capital Paulista, o Nacional Atlético Clube teve a arquibancada coberta e o gramado de seu estádio, Nicolau Alayon, tombados pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp), no fim de 2017. 

Histórico

O Estádio Nicolau Alayon também é conhecido como Comendador Souza, devido o nome de uma das ruas que dá acesso às suas dependências. 

Em 1919, o então superintendente da antiga São Paulo Railway (SPR), Arthur Owen, cedeu uma grande área do terreno próximo à atual estação Água Branca da CPTM para instalação do campo de esportes, destinado a funcionários e atletas da recém-fundada São Paulo Railway Athletic Club (SPRAC). 

Após 18 anos da doação, o uruguaio Nicolau Alayon, então presidente da SPRAC, decidiu pela construção do Estádio, inaugurado no dia 14 de maio de 1938. O campo é o único do Brasil a homenagear um estrangeiro: Alayon, que foi um dos mais entusiastas dirigentes do time da Água Branca. 

O Estádio foi palco de partidas de seleções que disputaram os Jogos Pan-americanos de 1963, que ocorreu na cidade de São Paulo, recebendo, por exemplo, o confronto entre Chile e Argentina, que terminou sem gols.

Atualmente, além dos jogos do Nacional, o Estádio sedia partidas de divisões inferiores do futebol paulista, além de jogos da Copa São Paulo de Futebol Júnior e de campeonatos amadores. É, também, sede da seleção brasileira de rugby.

Tombamento

Em 29 de novembro de 2017, o Estádio Nicolau Alayon teve sua arquibancada coberta e o gramado tombados pelo Conpresp. O processo corria desde 2003 e foi definido por votação no Conselho do Patrimônio Municipal, realizada em outubro. 

O principal objeto do tombamento é preservar, por meio da aplicação da lei, bens de valor histórico, cultural, arquitetônico e ambiental para a população, impedindo que venham a ser destruídos ou descaracterizados. 

Desde que o bem continue sendo preservado com as características que possuía na data da sua inscrição no livro do tombo, não existe qualquer impedimento para a venda, aluguel ou herança do bem tombado. 

Na decisão, o Conpresp lembrou a relevância do Estádio para memoria do futebol paulista no inicio do século XX: “O campo de futebol do Estádio Nicolau Alayon foi implantado em área vizinha à estrada de ferro da antiga São Paulo Railway e à estação Água Branca, ao contrário de grande parte dos campos e estádios paulistanos, implantados nas várzeas dos rios.” 

O Conpresp também considerou que “o Estádio integra a memória de uma tradição operária de clubes de futebol ligados a fábricas e empresas. A arquibancada coberta do Estádio Nicolau Alayon, construída em 1938, é remanescente da primeira configuração daquela praça de esportes e é exemplar da tipologia arquitetônica dos primeiros estádios implantados em São Paulo e no Brasil”, concluiu o órgão na Resolução Nº30 de 2017.

O clube 

O Nacional foi fundando em 1919 por funcionários da empresa São Paulo Railway Company, controlada por ingleses e responsável pela primeira ferrovia construída no Estado, que ligava as cidades paulistas de Santos e Jundiaí. A equipe adotou o nome de Nacional Atlético Clube, a partir da nacionalização da estrada de ferro, em 1947. 

O Nacional assumiu o carácter de clube operário, assim como acontecera com o Palestra Itália (fundado em 1914 – atual Palmeiras), Corinthians (1910) e Juventus (1924). No entanto, viu os investimentos minguarem em 1947, quando a São Paulo Railway saiu da mão dos ingleses, após 80 anos de operações nas ferrovias. 

Nos gramados, o clube vive uma boa fase e disputará a série A2 do Campeonato Paulista em 2018, junto a times tradicionais como a Portuguesa, o Guarani e o Juventus. A estreia na competição está marcada para o dia 17, às 16h, no Estádio Nicolau Alayon.

(Com Informações de Folha de SP, Nacional Atlético Clube e Conpresp)
 

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