SÃO PAULO

Abas primárias

Defesa da vida

Milhares vão às ruas de São Paulo para dizer ‘sim’ à vida

Por Fernando Geronazzo
09 de outubro de 2018

A marcha rumou à Catedral da Sé, com a presença do Cardeal Odilo Pedro Scherer, que leu o 'Manifesto pelas duas vidas'

Luciney Martins/O SÃO PAULO

Na tarde do domingo, 30 de setembro, milhares de pessoas começaram a se concentrar diante da Paróquia Imaculada Conceição, na Avenida Brigadeiro Luís Antônio, próxima à Avenida Paulista. Eram famílias com crianças, jovens, adultos, religiosos e religiosas, seminaristas, padres e membros de outras confissões religiosas e organizações da sociedade, com lenços azuis no pescoço, faixas e bandeiras. 

Às 16h, o grupo iniciou uma caminhada em direção à Praça da Sé. Nesse mesmo instante, caiu uma forte tempestade que os acompanhou por praticamente todo o percurso. Mas nem isso dispersou as pessoas que entoavam frases como: “Vida sim, aborto não!” e “Salvemos as duas vidas!”, em alusão à defesa da vida tanto da mulher quanto da criança gerada em seu ventre. 

Segundo os organizadores, a Marcha pela Vida reuniu aproximadamente 15 mil pessoas. A iniciativa faz parte da chamada “onda celeste latino-americana” frente às tentativas de legalização do aborto em diversos países do continente. No Brasil, a manifestação foi motivada pela discussão no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 422/2017, que propõe a descriminalização do aborto até a 12ª semana de gestação. 

Ao passar em frente ao Hospital Pérola Byngton, Centro de Referência da Saúde da Mulher, os manifestantes caminharam em silêncio e soltaram balões azuis, em memória das muitas vítimas do aborto. 

Na Praça da Sé, diante da Catedral Metropolitana de São Paulo, foi colocado uma representação inflável de um feto no ventre materno com uma luz no seu interior que piscava, indicando as batidas de seu coração. De acordo com os organizadores, esse símbolo irá percorrer todo o País em futuras manifestações em favor da vida.

 

EXERCÍCIO DE CIDADANIA

O Arcebispo de São Paulo, Cardeal Odilo Pedro Scherer, participou do encerramento do evento. Ele enfatizou que a Marcha foi realizada no contexto da Semana Nacional da Vida, que, neste ano, coincidiu com a semana que antecede as eleições, que acontecem no domingo, 7. “Esta manifestação quer ser também um recado para todos os políticos, candidatos e governantes que o dia 8 é Dia do Nascituro, daquele que ainda está por nascer, mas já é gente. Nós queremos defender o seu direito de viver, o primeiro de todos os direitos”.

Para Sumaya Zogbi, uma das organizadoras da Marcha, a adesão das pessoas à manifestação foi a prova da necessidade de defender a vida. “Houve uma grande conscientização que uniu os cristãos e todas as pessoas de bem envolvidas nessa causa de defesa da vida desde a sua concepção, como prevê a nossa Constituição. Nós lutamos para que o direito à vida não seja adulterado. Uma criança no ventre necessita de cuidado e proteção da mãe e de todos os que estão a sua volta. Essa é uma questão de cidadania”, afirmou, acrescentando que, assim como o nascituro, a vida da mãe é importante e necessita de proteção. “Uma mulher em crise, que passa por uma situação de gestação que não esperava, também precisa de apoio e proteção. Qualquer atitude momentânea pode trazer consequências para o resto da vida dessa mulher”, afirmou.

Ainda segundo Sumaya, o perfil do público que aderiu à Marcha comprova que a manifestação não teve caráter 
político partidário, e, sim, foi um exercício de cidadania. “Qualquer pessoa com consciência sabe que o valor da vida tem de ser defendido”.

 

TESTEMUNHOS

Um grupo de fiéis da Paróquia Nossa Senhora da Candelária, em São Caetano do Sul (SP), na Diocese de Santo André, também aderiu à proposta. Eles promovem há três anos a iniciativa Jogo pela Vida, que, por meio de partidas de futebol, conscientiza as pessoas sobre a importância de se defender a vida humana em qualquer situação. Como gesto concreto, o grupo arrecada fraldas para serem doadas para gestantes carentes. “Por meio do futebol, conseguimos não só promover uma vida saudável, como também chamar a atenção de pessoas que nem sempre vão à Igreja sobre o valor da vida”, explicou Anderson Ferre, coordenador do projeto. 

Um grupo de 30 ciclistas da Paróquia Rainha da Paz, na Diocese de Santo Amaro, participou da marcha mesmo debaixo da chuva. “Nós temos que conscientizar as pessoas que quando nos posicionamos contrários ao aborto, nós estamos defendendo também a vida da mulher”, disse a ciclista Jeanine Castilho de Freitas Rossi. 

No final da Marcha, foi lido um manifesto amplamente divulgado nas mídias sociais, no qual se enfatizava que “a vida está acima de quaisquer bens econômicos e constitui-se no primeiro direito a ser preservado por leis sábias e políticas públicas de governo, por iniciativas sociais, culturais ou econômicas”. 

“Quando o direito à vida é negado, ou não é devidamente valorizado, todos os demais direitos deixam de existir ou ficam expostos a riscos e inseguranças”, destaca o manifesto (leia o na íntegra aqui). 

 

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