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Quando o esporte inclui pessoas e reverte o placar

Por Vítor Alves Loscalzo
04 de abril de 2017

Kelly Antunes é uma das melhores nadadoras com Síndrome de Down em ação no mundo

Prefeitura municipal de Itanhaém

Há muito o que se comemorar em 21 de março, Dia Internacional da Síndrome de Down. Os portadores da trissomia do cromossomo 21 estão cada vez mais inseridos na sociedade: presentes nas escolas, postos de trabalho e, principalmente, no esporte.

Todos sabem da importância do esporte, pois seus benefícios vão muito além de garantir saúde corporal ao praticante. A presença cada vez maior de pessoas com Síndrome de Down no meio desportivo revela como o esporte pode ajudar a virar o placar, permitindo que pessoas tenham uma vida melhor independentemente de cor, credo e da quantidade de cromossomos.

 

Olimpíada para pessoas com síndrome de Down

Um exemplo de eventos esportivos internacionais para pessoas com a Síndrome é o Trisome Games (Olimpíada para pessoas com Síndrome de Down), que teve sua primeira edição em julho de 2016, na cidade de Florença, na Itália. Os mil atletas provenientes de 36 nacionalidades disputaram nove modalidades: atletismo, natação, nado sincronizado, ginástica rítmica, ginástica artística, judô, tênis de mesa, tênis e futsal.

Com o objetivo de combater certos preconceitos e promover a inclusão, o Tri- some Games foi criado por Marco Borzacchini, o presidente da Federação Italiana de Esportes para Pessoas com Dificuldade Intelectual. Durante o evento na cidade de Florença, Marco Boracchini afirmou esperar que esses atletas sejam incluídos nas Paralimpíadas.

Outro evento internacional destinado às pessoas com Síndrome de Down é o Campeonato Mundial de Atletismo, que já foi realizado no arquipélago português dos Açores e na África do Sul.

 

Atletas brasileiros de destaque

Breno Viola, 36, natural do Rio de Janeiro, é ator e participou do filme “Colegas”, que conta a história de três jovens com Síndrome de Down. Mas, além de ator, Breno é faixa preta de judô, contando em seu currículo com o 4º lugar nas Olimpíadas para Deficientes Intelectuais, na Grécia em 2011, e com o bicampeonato mundial.

Em entrevista ao portal UOL, Breno falou da importância do tratamento “de igual para igual”: “Comecei a fazer judô aos 3 anos. Sempre tive meu irmão mais velho como grande inspiração. Ele também é praticante do esporte. Sou o primeiro down das Américas a conquistar a faixa preta e nunca tive moleza. Na academia, se é para tomar ‘dura’, eu tomo, como qual- quer aluno. Sempre fui tratado de igual para igual”.

 

Nas águas

Considerada a melhor do mundo da categoria, a nadadora Kelly Antunes, de São Paulo, tem mais de 200 premiações, dentre elas o título mundial no México, em 2014. Além de atleta, Kelly é mãe de Igor, 16. No caso dela, a Síndrome não lhe impôs barreiras.

 

O esporte como meio de inclusão

“É um fenômeno de grande influência na sociedade, não somente voltado para o alto rendimento, mas também para qualquer praticante, apresentando extrema relevância por promover melhoria da saúde física e mental. Os benefícios podem ser observados em diversos aspectos, tais como motor, social e cognitivo”. É o que afirma Natália Monaco, coordenadora de esportes do Instituto Olga Kos.

Segundo Natália, em entrevista ao O SÃO PAULO, “independentemente da linha da prática esportiva – competição ou alto rendimento, participação ou educação –, o esporte promove benefícios no aspecto social e cognitivo, pois, em diversos momentos, exige tomada de decisão. Além disso, o esporte é um grande agente facilitador de relações”.

Fundado em 2007, o Instituto Olga Kos é uma associação sem fins lucrativos, que desenvolve projetos artísticos e esportivos aprovados em leis de incentivo fiscal. Atende prioritariamente crianças, jovens e adultos com deficiência intelectual. Parte das vagas de cada projeto é destinada a pessoas sem deficiência, mas que se encontram em situação de vulnerabilidade social. Há, portanto, uma interação entre pessoas com e sem deficiência.

Foi realizada, no domingo, 19, a Cor- rida e Caminhada pela Inclusão, promovida pelo Instituo Olga Kos, reunindo 12 mil pessoas no Pacaembu. O evento fez parte das comemorações do Dia Internacional da Síndrome de Down.

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