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Política

Que fatores vão pautar as eleições deste ano?

Por Daniel Gomes
14 de janeiro de 2018

Segundo especialistas, reformas propostas, credibilidade e valores morais devem ser analisados ao escolher em quem votar

Luciney Martins/O SÃO PAULO

Marcadas para 7 de outubro, as eleições para o Executivo e o Legislativo federal e estadual devem movimentar o calendário político durante todo este ano, apesar de a propaganda eleitoral só começar oficialmente em agosto. 

Fatores como o desempenho da economia, o impacto das reformas trabalhista e previdenciária (ainda em discussão), a credibilidade da classe política, a qualidade dos serviços públicos e os valores morais defendidos por candidatos e partidos devem pautar as reflexões dos eleitores e o discurso dos candidatos, conforme indicam algumas pesquisas e também especialistas ouvidos pelo O SÃO PAULO ao longo de 2017. 

 

Indicadores econômicos 

A geração de emprego e o equilíbrio nas contas públicas devem estar no centro das reflexões eleitorais, especialmente na escolha presidencial.

“O próximo presidente terá que enfrentar o desafio fundamental das contas públicas; o desafio do desemprego, que deve se manter no próximo mandato; o desafio da inflação; e o da desindustrialização que assola o País, pois é por meio da indústria que se consegue uma geração de empregos de qualidade, com maiores salários. Outra agenda é conseguir fazer este País crescer sem perder o que foi conquistado em termos de política social nos últimos anos”, analisou Cristina Helena Pinto Mello, Doutora em Economia e professora na PUC-SP. 

Já Gil Castelo Branco, Economista e integrante da Associação Contas Abertas, acredita que um dos focos do debate eleitoral deva ser sobre a reformulação do funcionamento do Estado brasileiro, para que haja equilíbrio nas finanças: “Temos que rever o tamanho do Estado, a quantidade de ministérios, a quantidade de funções de assessoramento, as comissões, os subsídios, as isenções fiscais. Se há algum aspecto positivo nessa situação fiscal gravíssima é o fato de que nós vamos ter que rediscutir prioridades e o próprio orçamento”

 

Reformas

Um eventual crescimento econômico do País que seja identificado como resultado direto das reformas do governo do Presidente Michel Temer (PMDB), como a trabalhista, em vigor desde novembro, e a previdenciária, também poderá ter impacto na escolha dos eleitores, embora a necessidade de tais reformas ainda divida opiniões. 

“Com a melhoria da economia, haveria menor desemprego e melhores condições de vida no País. Se isso de fato ocorrer, boa parte dessa classe política vai conseguir algum desempenho, principalmente os ministros e deputados mais próximos dessas bandeiras que estão sendo defendidas pelo governo. Porém, há um eleitor que não é pragmático do ponto de vista só de sua vida diretamente, e que tende a combater e tentar não reeleger nenhum desses deputados”, analisou Maria do Socorro Sousa Braga, Cientista Política e professora na Universidade Federal de São Carlos.

Temer já declarou que a reforma da Previdência é a prioridade do governo para este ano. No fim de 2017, Rodrigo Maia (DEM- RJ), Presidente da Câmara dos Deputados, afirmou que a PEC 287/16, que trata da reforma, deve ser votada em 19 de fevereiro, quando o governo espera ter os 308 votos necessários para aprová-la. 

 

Credibilidade dos políticos e serviços públicos 

Também deve ter peso nas eleições a credibilidade dos políticos junto à opinião pública, especialmente com o recorrente noticiário dos casos de corrupção. 

Uma pesquisa, realizada nacionalmente em setembro do ano passado pelo Instituto Paraná Pesquisas, indicou que 59,4% dos brasileiros buscarão um candidato novo para as eleições deste ano, e que 73% não irão votar nos investigados pela operação Lava Jato, ainda que não tenham sido sentenciados como culpados. 

Outra sondagem, feita em novembro pela Quorum Brasil, especializada em pesquisa de mercado, mostrou que de 1.013 entrevistados nas cidades de Recife (PE), Rio Janeiro (RJ), São Paulo (SP) e Porto Alegre (RS), 73% disseram que não votarão no mesmo candidato da eleição passada. Além disso, a maior parte dessas pessoas considerou que a conduta dos políticos impactou negativamente em áreas como segurança, saúde e educação. 

A qualidade dos serviços públicos também parece pesar na escolha dos eleitores. Uma pesquisa do Ibope, feita em março de 2016 com 2.002 pessoas, em 143 municípios, indicou que sete em cada dez brasileiros consideravam que a baixa qualidade dos serviços públicos se devia mais à má gestão dos recursos pelos governantes do que à falta de verbas. Naquele ano de eleições municipais, conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 47% dos prefeitos que tentaram reeleição conseguiram sucesso, índice mais baixo desde que a reeleição passou a ser permitida, em 2000. 

As crescentes apurações de casos de corrupção e a avaliação nem sempre positiva dos serviços públicos também devem alimentar discussões ao longo da campanha eleitoral sobre a privatização de algumas empresas estatais. 

Paulo Azevedo, Mestre em Economia e professor no Ibmec São Paulo, aponta para duas alternativas viáveis em relação às estatais. “Uma seria mudarmos o sistema de coalização na política, de forma a não ter a necessidade de se indicar cargos de presidência, de direção, e demais cargos estratégicos nas empresas públicas. Outra seria privatizar essas empresas, para que, naturalmente, a direção e os cargos relevantes possam ser escolhidos de forma técnica. A privatização é bem vista pelas pessoas do mercado financeiro, por exemplo, porque desaparelha o governo, tira um pouco essa possibilidade de corrupção, de utilização desse dinheiro, e permite colocar pessoas mais técnicas. O governo fica focado em coisas governamentais e não em coisas empresariais”, opinou. 

 

Valores morais

Outro aspecto que possivelmente será levado em consideração pelos eleitores são os valores morais que um candidato ou o partido defenda. Por conta disso, no entender de Eduardo Oyakawa, Mestre em Ciências da Religião pela PUC-SP, “o eleitorado religioso – católico, pentecostal, neopentecostal –, cada vez mais terá um papel decisivo nas eleições”.

Oyakawa acredita que “os valores morais são cada vez mais fundamentais para a escolha do Presidente e dos cargos legislativos. Na eleição de 2018, eu tenho a impressão que isso será decisivo. De um lado, haverá pessoas dizendo ‘querem acabar com a família’, que basicamente é um refrão que une religiosos de todas as matizes, e de outro lado teremos os que podemos chamar de liberais, falando de uma nova família, uma nova ideologia familiar, que pertenceria ao mundo moderno”, explicou, citando como exemplo as discussões sobre a legalização do aborto no País, medida, em geral, apoiada pelos partidos de esquerda e extremamente criticada por políticos ligados a igrejas evangélicas e a grupos católicos.

(Com informações de Planalto, Câmara Notícias, Quorum Brasil, Folha de S.Paulo e Instituto Paraná Pesquisas)
 

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