VATICANO

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‘Reforma do Papa Francisco requer conversão, e não substituição’, diz Cardeal Maradiaga

Por Filipe Domingues
12 de março de 2018

Os escritores relacionam cultura e fé por meio de “princípios, palavras e ideias que caracterizam este papado”

Filipe Domingues

Não se trata  de  substituir  pesso- as, mas de convertê-las. Para o Cardeal Óscar Rodríguez Maradiaga, a reforma que o Papa Francisco conduz na Cúria Romana é um processo de crescimento e verdadeira conversão. “O Papa não pretende colocar tudo em discussão e começar do zero. A questão principal é como a Cúria pode ser melhorada para responder às necessidades dos nossos tempos”, declarou, na quinta-feira, 1º. Dom Maradiaga é coordenador do Con- selho de Cardeais (C9), que ajuda o Papa nas mudanças em andamento.

No lançamento de um livro editado pelos vaticanistas norte-americanos Joshua McElwee e Cindy Wooden sobre o “vocabulário” de Francisco, o Arcebispo de Tegucigalpa comentou justamente a palavra “reforma”. O livro se chama “A Pope Francis Lexicon” (“Um léxico do Papa Francisco”) e reúne 54 artigos que estudam palavras-chave deste pontificado.

Citando o próprio Pontífice, o Cardeal Maradiaga disse, ainda, que reformar não significa simplesmente “retocar a maquiagem para embelezar o velho corpo curial”, mas renovar o espírito dos que colaboram com a Igreja e o Bispo de Roma. “A reforma só será eficaz se realizada por homens e mulheres renovados: espiritualmente, humanamente e profissionalmente”, acrescentou. “Como diz o Papa, não são as rugas na Igreja que devemos temer, mas as manchas. Isso é forte”, afirmou.

O moderador do evento foi o Cardeal Kevin Joseph Farrell, Prefeito do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida. Segundo ele, a reforma da Cúria requer “transformar toda uma cultura” e, portanto, leva tempo. Questionados sobre uma maior inclusão das mulheres em papéis de liderança na Igreja, por exemplo, os dois cardeais responderam que bastante vem sendo feito. “No meu Dicastério, temos duas mulheres compe- tentes entre os cargos mais altos [de subsecretárias]”, recordou Dom Farrell.

 

AUTORIDADE E SERVIÇO

Na mesma ocasião, a teóloga Phyllis Zagano comentou sobre a palavra “serviço”. Ela é membro da comissão convocada pelo Papa para estudar a possibilidade do diaconato feminino. Ela analisou o termo partindo do grego diakonía, que quer dizer “serviço”.

“Não importa em qual passagem dos Evangelhos, este serviço-diakonía é sempre ativo, sempre voluntário e sem- pre cheio de Espírito”, disse a professora. “É um serviço dos e através dos ensina- mentos de Cristo, alegremente destina- do aos outros, orientado à oração e gentilmente doado.”

Para ela, esta é a visão do Papa Francisco. “O serviço é um ministério cheio de fé, dado da inspiração do Espírito e ao qual todos somos chamados”, declarou. “Francisco é especialmente atento ao serviço da autoridade. Cada um de nós assume autoridade de um tipo ou de outro. Na Lumen Fidei, Francisco diz que a autoridade vem de Deus para estar ao serviço do bem comum”, lembrou Phyllis Zagano.

 

A PUBLICAÇÃO

O livro foi recomendado pelo Cardeal Farrell como uma obra que precisa ser lida para entender melhor a “mentalidade” de Francisco. Segundo o purpurado, os escritores relacionam cultura e fé por meio de “princípios, palavras e ideias que caracterizam este papado”.

Entre as 54 expressões estão “clericalismo”, “indiferença”, “colegialidade”, “discernimento”, “encontro”, “fofoca”, “imigrante”, “misericórdia”, “periferia”, “dinheiro”, “legalismo”, “resmungão”, “alegria” e “esperança”. Ainda não há pre-visão para que o livro seja traduzido ao Português.

 

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