‘Avançar para águas mais profundas’ na missão da Igreja em São Paulo

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05 de julho de 2017

A Comissão de Coordenação Geral do 1º Sínodo da Arquidiocese de São Paulo se reuniu pela primeira vez na sexta-feira, 30, na Cúria Metropolitana. Instituída pelo Arcebispo de São Paulo, Cardeal Odilo Pedro Scherer, a Comissão tem o objetivo de ajudar a pensar e organizar os próximos passos do caminho sinodal convocado no dia 15 de junho.

O organismo é constituído pelos bispos auxiliares, vigários episcopais, coordenadores de pastorais das regiões e vicariatos, representantes dos religiosos, diáconos permanentes e do laicato. Junto com a Comissão, também foi criada a Secretaria Geral do Sínodo, que terá à frente o Padre Tarcísio Marques Mesquita, Coordenador Arquidiocesano de Pastoral.

A reunião também contou com a presença do Padre José Arnaldo Juliano, teólogo e historiador, convidado para ser um dos peritos do Sínodo, e do Padre Pedro Augusto Ciola de Almeida, Secretário do Arcebispo.

Dom Odilo explicou aos membros da Comissão que o objetivo do Sínodo é a “conversão e renovação da vida pastoral da Arquidiocese, à luz dos apelos de Deus e da Igreja, da realidade na qual vive a Igreja em São Paulo”. O Cardeal Scherer ressaltou, ainda, que não é a Comissão que realizará o Sínodo, mas toda a Arquidiocese: “A Igreja em São Paulo que reflete e olha para si, para sua maneira de ser, para sua missão, o que estamos realizando, como estamos realizando”.

Ainda segundo o Arcebispo, todo o caminho sinodal, desde o anúncio e a convocação, passando pela preparação e celebração do mesmo, “deverá ser marcado pela escuta e atenta acolhida à Palavra de Deus, do Magistério da Igreja, para discernirmos sobre a vocação e a missão de nossa Arquidiocese em cada realidade vivida pelos fiéis católicos: nas pequenas e grandes expressões da comunidade eclesial e em todas as estruturas e organizações pastorais”.

 

 

Preparação

Os primeiros encaminhamentos da Comissão serão pensar na divulgação e motivação sobre o Sínodo nas paróquias e comunidades da Arquidiocese, bem como elaborar subsídios para serem utilizados na primeira etapa do caminho sinodal, em 2018, quando os trabalhos acontecerão nas bases. Para esclarecer e motivar as pessoas sobre o Sínodo, será elaborado um folder com informações básicas, como o que é um sínodo, por que e para que celebrá-lo.

Também caberá à Comissão preparar a formação de agentes que auxiliarão na realização das reflexões do Sínodo nas bases. Para isso, será necessária a elaboração do regulamento do Sínodo. Estão em fase de preparação um logotipo e um hino do Sínodo, que ajudarão na divulgação, motivação e celebração do caminho sinodal.

Ao longo do segundo semestre de 2017, as atividades arquidiocesanas também serão voltadas para a motivação do Sínodo. Em agosto, o Curso de Atualização Teológico-Pastoral do Clero da Arquidiocese de São Paulo irá tratar do assunto, preparando os sacer-dotes e diáconos para a realização do Sínodo nas paróquias. De igual maneira, os materiais para o Mês Missionário, celebrado em outubro, bem como a Novena de Natal, serão elaborados no contexto sinodal.

 

 

Olhar para si

Dando como exemplo o método “ver-julgar-agir”, Dom Odilo explicou que a primeira etapa será o “ver” da Arquidiocese, quando cada paróquia, comunidade ou organização pastoral vai “olhar-se no espelho” e perceber a sua realidade.

Ainda de acordo com o Arcebispo, é preciso ter claro que o Sínodo não conta só pelas conclusões, mas pelo caminho realizado, pelo exercício de comunhão, de tomada de consciência e motivação. “O Sínodo é eclesial. É a Igreja em São Paulo que reflete e olha para si, para sua maneira de ser, para sua missão. O que estamos realizando, como estamos rea-lizando... É a busca da própria Igreja de se reposicionar, acertar o passo”, disse o Cardeal Scherer.

Padre José Arnaldo afirmou que o Sínodo é um momento eclesial. Recordando a encíclica Ecclesiam Suam, do Beato Paulo VI (1964), na qual o Pontífice fala sobre os sínodos, o Teólogo salientou que é necessário que a Igreja, antes de tomar atitudes pastorais ousa-das, pare e olhe para si mesma. Essa é a experiência, na sua avaliação, que o Sínodo poderá proporcionar. “Não podemos pensar apenas no ativismo pas-toral. É momento de reflexão e de ação em comunhão”, alertou.

Padre Andrés Gustavo Marengo, Coordenador de Pastoral da Região Santana, completou que para uma autêntica e eficaz conversão pastoral é preciso ir ao encontro das periferias existenciais, a Igreja deve, antes de tudo, descobrir sua própria identidade na cidade. “Para sairmos em busca daqueles que estão afastados, nós precisamos saber quem somos.”

Padre Jordélio Siles Ledo, da Congregação dos Sagrados Estigmas (Estigmatinos), um dos representantes dos religiosos na Comissão, afirmou que ao iniciar o processo de avaliação, preciso ter consciência de que a Igreja pode se defrontar com uma imagem incômoda sobre si mesma. “Esse ‘ver’ a realidade, saber quem é esse interlocutor da Igreja, a cidade, é muito importante”, disse.

 “O Sínodo deverá significar um ‘vento impetuoso de Pentecostes’ (cf. At 2,1-11), uma saudável sacudida na Igreja da Arquidiocese, dando-lhe fortes impulsos para ‘avançar para águas mais profundas’ no exercício da missão evangelizadora e da vida da Igreja”, enfatizou Dom Odilo.

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Sínodo Arquidiocesano: um caminho feito em comunhão

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15 de junho de 2017

Despertar uma nova consciência dos católicos sobre a vida e a missão da Igreja em São Paulo e provocar um processo de conversão e renovação pastoral. Esses são os principais frutos que o Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano, espera do Sínodo Arquidiocesano, convocado por ele na quinta-feira, 15, durante a missa da Solenidade de Corpus Christi, na Praça da Sé. Em entrevista ao O SÃO PAULO, Dom Odilo explicou como se realizará o Sínodo, com várias etapas até a assembleia sinodal que concluirá o caminho ao longo de quase três anos. Segundo o Arcebispo, o povo nas paróquias, comunidades e realidades eclesiais de base poderá participar das atividades sinodais. “O Espírito Santo é o principal protagonista do Sínodo e é ele quem move a Igreja a se converter e renovar”, destacou.

Confira a entrevista.

 

O SÃO PAULO – A partir da convocação, quais serão os próximos passos do sínodo arquidiocesano?

Cardeal Odilo Pedro Scherer – O Sínodo deverá ser uma grande ação eclesial de nossa Arquidiocese na busca conjunta da melhor forma de correspondermos à vida e à missão da Igreja em nosso tempo. Na sua realização, são previstos diversos passos: uma etapa prévia de motivação, divulgação, oração e tomada de consciência sobre o próprio Sínodo; uma dupla etapa preparatória, em âmbito de paróquias e de vicariatos episcopais; finalmente, haverá a assembleia sinodal arquidiocesana propriamente dita. Prevê-se um caminho longo e complexo de cerca de três anos até à conclusão do Sínodo.

Quais serão o tema e o lema do sínodo?

O Sínodo será dedicado à vida e à missão da Igreja na Arquidiocese de São Paulo. De maneira estrita, o tema terá esta formulação: “Sínodo da Arquidiocese de São Paulo: caminho de comunhão, conversão e renovação missionária”. E o lema será: “Deus habita esta Cidade. Somos suas testemunhas”.

Como as pessoas dos diferentes âmbitos da vida eclesial poderão participar desse caminho sinodal?

É desejada uma ampla participação, que poderá acontecer de muitos modos. Primeiramente, pelo interesse para compreender melhor a proposta do Sínodo; para isso, haverá matérias à disposição de todos. Mas, é muito importante que todos rezem ao Espírito Santo pelo bom êxito do Sínodo. O Espírito Santo é o principal protagonista do Sínodo, e é ele quem move a Igreja a se converter e renovar, a corresponder e realizar melhor sua vida e sua missão. No âmbito das paróquias, comunidades e realidades eclesiais de base, haverá ampla possibilidade e necessidade de envolvimento do povo nas ações sinodais; no âmbito dos vicariatos regionais e ambientais, bem como no âmbito arquidiocesano, a participação será por representação, conforme regulamento do Sínodo.

Como será a assembleia sinodal?

Ainda temos um longo caminho a percorrer antes de chegar à assembleia sinodal propriamente dita, última etapa do Sínodo. Na assembleia sinodal arquidiocesana, serão apresentados e analisados os relatórios das etapas anteriores e serão elaboradas propostas para os encaminhamentos pós-sinodais.

O senhor destaca a necessidade de uma grande revisão da pastoral na Arquidiocese. Por quê?

Vivemos um período de “mudança de época”, como já se afirmou na Conferência de Aparecida, em 2007. Tendo em vista as grandes transformações sociais, culturais e religiosas do nosso tempo, e levando em consideração os fortes apelos da própria Igreja para a promoção de uma nova evangelização, é preciso perguntar: isso também diz respeito a nós, aqui em São Paulo? Um amplo discernimento sobre a vida e a organização pastoral será útil para saber como estamos, de fato. Não podemos fazer de conta que nada mudou e que tudo continua como sempre foi. Na passagem para o novo milênio cristão, houve a indicação de grandes metas e diretrizes para a vida e a missão da Igreja neste período da história da humanidade. Será que que essas metas estão presentes em nossa evangelização e vida pastoral? A Conferência de Aparecida convocou a Igreja da América Latina e do Caribe a uma renovação missionária, uma verdadeira conversão pastoral e missionária: será que estamos realizando esse processo? O Papa Francisco nos conclama a vivermos a alegria do Evangelho como uma “Igreja em saída missionária”: será que isso nos diz respeito e já está acontecendo? Existe uma profunda crise de fé em boa parte do povo cristão e católico, e se constata que a evangelização está insuficiente, também em São Paulo: isso tem algum significado para nossa ação pastoral? Os casamentos na Igreja, os batizados, as primeiras comunhões, as vocações sacerdotais e à vida consagrada estão em queda acentuada: o que está acontecendo e o que vamos fazer? O Sínodo poderá ser de grande ajuda para responder essas e outras questões.

Quais são os principais frutos que se esperam desse Sínodo?

Espera-se, com a ajuda de Deus, uma nova consciência do povo católico sobre a vida e a missão da Igreja em São Paulo, e também provocar um processo de conversão e renovação pastoral. Daí poderá resultar uma revisão das diretrizes e orientações pastorais em vários sentidos e uma eventual reestruturação da organização pastoral da Arquidiocese. Mas, para se chegar a esses frutos, será preciso semear muito e percorrer o caminho sinodal, com paciência e fé, contando com a ajuda do Espírito Santo.

Será publicado um documento final do Sínodo?

Ao longo do caminho sinodal deverão ser produzidos e publicados diversos subsídios. Espera-se chegar a boas conclusões sinodais, que também serão publicadas. Mais importante que os textos, porém, deverão ser as novas atitudes pastorais e a renovação da consciência eclesial. Esses deverão ser os frutos principais e esperamos que eles apareçam com o passar do tempo, com a graça de Deus, o esforço de todos e a paciência da fé.

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Um sínodo para caminhar na mesma direção

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04 de mai de 2017

Em artigo publicado no O SÃO PAULO, na edição de 19 a 25 de abril de 2017, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, aprofundando o trecho do Evangelho em que Jesus se revela ressuscitado aos discípulos de Emaús, fala sobre o Sínodo Arquidiocesano que será realizado no quadriênio 2017-2020.

No texto, ele explica que “Sínodo significa caminhar juntos, na mesma direção. Jesus fez caminho com os discípulos de Emaús, explicando as Escrituras. Jesus faz um sí- nodo com eles. E eles o reencontram nas Escrituras, no convívio fraterno e no partir do pão (Eucaristia e caridade). Queremos celebrar um Sínodo em nossa Arquidiocese para contar nossa situação, perscrutar as Escrituras e deixar que se aqueçam nossos corações. Vamos perceber que Ele não abandonou sua Igreja mas caminha com ela, renova-a na alegria de crer e de proclamar à cidade de São Paulo a Boa Nova”.

Em outro artigo, de fevereiro deste ano, direcionado aos bispos, párocos, administradores, vigários paroquiais e diáconos da Arquidiocese, o Cardeal explica os motivos que o levaram a convocar o Sínodo.

“Sínodo diocesano é um caminho de reflexão, avaliação, renovação, planejamento e programação, feito com a participação de toda a Igreja particular, através dos seus representantes e delegados para isso. É um evento de grande significado eclesial e pastoral, que requer um amplo envolvimento de todas as forças vivas da Arquidiocese. O Sínodo requer boa preparação e participação em diversos níveis, para rever e avaliar a ação evangelizadora da Igreja, as diretrizes pastorais nos diversos âmbitos da ação pastoral, a busca de caminhos comuns eficazes para que nossa Arquidiocese realize bem sua missão neste tempo e no atual contexto social, cultural e religioso”, afirmou o Cardeal.

Momento de questionamentos

Ele salientou, ainda, que o Sínodo poderá levar à percepção de lacunas e insuficiências na evangelização; à constatação de que existe rotina e cansaço, desmotivação e resignação diante dos desafios e problemas que a Igreja enfrenta na cidade de São Paulo. Dom Odilo, coloca, então, uma série de perguntas que podem surgir a partir dessa reflexão feita conjuntamente. “Pode ser que os fatos e os números relativos à ação pastoral e à vida eclesial nos interpelem e nos façam perguntar: afinal, o que está acontecendo? Por que está acontecendo? Como podemos enfrentar melhor a escassez de vocações? Como tornar nossa Arquidiocese decididamente mais missionária, conforme apelos constantes e fortes da Igreja diante dos desafios da nova evangelização?”.

 Por fim, Dom Odilo diz que “o sínodo diocesano não deverá ter outra finalidade do que lançar um olhar realista para a nossa realidade eclesial e pastoral em São Paulo, com o desejo sincero de sermos fiéis à graça de Deus e de correspondermos bem à missão que nos está confiada nesta Metrópole”.

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