Papa no Angelus: o coração não se pode "photoshopear"

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22 de janeiro de 2018

O Papa Francisco rezou neste domingo a tradicional oração do Angelus com os jovens na Praça das Armas, em Lima. Do balcão do Arcebispado diante de uma praça repleta de jovens Francisco expressou sua alegria por poder se encontrar com eles afirmando que esses encontros são sempre muito importantes, mas mais ainda neste ano em que “nos preparamos para o Sínodo sobre os jovens”.

“Os seus rostos, as suas aspirações, a sua vida são importantes para a Igreja: devemos dar-lhes a importância que merecem e ter a coragem que demonstraram muitos jovens desta terra que não tiveram medo de amar e apostar em Jesus”.

Em seguida recordou os muitos exemplos como o de São Martinho de Porres que nada impediu a ele de realizar os seus sonhos, gastar a sua vida pelos outros e de amar, “porque  - disse Francisco -, tinha experimentado que o Senhor o amara primeiro”.

Recordou que ele mulato com muitas privações, aos olhos humanos soube fazer algo que se tornaria o segredo da sua vida: ter confiança. Teve confiança no Senhor que o amava.

Há momentos em que vocês podem pensar que não poderão realizar os desejos de sua vida, seus sonhos, continuou o Papa. Todos passamos por situações como estas.

“Queridos amigos, nesses momentos em que parece apagar-se a fé, não se esqueçam que Jesus está ao seu lado. Não se deixem vencer, não percam a esperança! Não se esqueçam dos Santos, que nos acompanham do céu; recorram a eles, rezem e não se cansem de pedir a sua intercessão. Os Santos de ontem, mas também os de hoje”.

Francisco disse ainda aos jovens que busquem ajuda e conselho de pessoas que vocês sabem serem boas para lhes aconselhar, porque os seus rostos manifestam alegria e paz. Deixem-se acompanhar por elas e, assim, avancem pelo caminho da vida.

“ Jesus – disse o Papa - quer ver você em movimento; quer ver você levar adiante os seus ideais e que você se decida a seguir as suas instruções. ”

"Jesus conta com você, como fez, há muito tempo, com Santa Rosa de Lima, São Toríbio, São João Macías, São Francisco Solano e muitos outros. Você está disposto a segui-Lo? Está disposto a deixar-se impelir pelo seu Espírito, para tornar presente o seu Reino de justiça e amor?"

Jesus disse ainda Francisco olha para vocês com esperança, nunca desanima a nosso respeito. Mas nós talvez sim, talvez possamos desanimar de nós mesmos ou dos outros.

O Pontífice em seguida afirmou que é muito belo ver fotos retocadas digitalmente, mas isso serve só para as fotografias, não podemos fazer o «photoshop» aos outros, à realidade, a nós próprios. Os filtros coloridos e a alta definição funcionam bem apenas nos vídeos; nunca podemos aplicá-los aos amigos. Há fotos que são muito lindas, mas estão todas maquilhadas; o coração não se pode «photoshopear», porque é nele onde se joga o amor verdadeiro; nele joga-se a felicidade.

Jesus não quer que «maquilhem» o seu coração. Ele ama você assim como você é e tem um sonho para realizar com cada um de vocês. Não se esqueçam: Ele não desanima de nós.

E se vocês desanimarem, - disse o Santo Padre - convido-os a pegar a Bíblia e recordar os amigos que Deus Se escolheu. Entre eles o Papa recordou Moisés, que era tartamudo; Abraão, um idoso; Jeremias, muito jovem; Zaqueu, de baixa estatura; Pedro renegou-O... e poderíamos continuar a lista. Que desculpa queremos encontrar?

Quando Jesus nos olha, não pensa quão perfeitos somos, mas em todo o amor que temos no coração para oferecer aos outros e servi-los. Para Ele, o importante é isto e sempre vai insistir no mesmo.

“Não Se fixa na sua altura, se tens dificuldade em falar ou não, se adormeces ao rezar, se você é muito jovem ou uma pessoa idosa. A única pergunta é: você quer seguir-Me e ser meu discípulo? Não perca tempo em mascarar o seu coração; encha a sua vida do Espírito!” Ele não se cansa de esperar para nos dar o seu Espírito.

Queridos jovens! Concluiu o Papa: na minha oração, coloco toso vocês nas mãos de Nossa Senhora. Tenham a certeza de que Ela os acompanhará em todos os momentos de suas vidas, em todas as encruzilhadas dos seus caminhos, sobretudo quando tiverem de tomar decisões importantes. Lá estará Ela, como boa Mãe, encorajando-os, apoiando-os para que vocês não desanimem. Não deixem de rezar, não deixem de pedir, não deixem de ter confiança na sua proteção materna.

Antes de rezar o Angelus o Papa dirigiu o seu pensamento à República Democrática do Congo.

“Notícias preocupantes chegam da “República Democrática do Congo: peço a todos os responsáveis que se empenhem ao máximo para deter toda forma de violência e encontrar uma solução baseada no diálogo”.

 

Silvonei José - Vatican News

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‘Queres paz? Trabalha pela paz’, diz Papa no Chile

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18 de janeiro de 2018

O Papa Francisco chegou ao Chile, na segunda-feira, 15, para sua 22ª viagem apostólica internacional, que também terá como destino o Peru, onde ele permanecerá até o domingo, 21. O primeiro grande evento do Santo Padre em terras chilenas foi a missa celebrada no Parque O’Higgins, em Santiago, capital do País, na terça-feira, 16. 

Na homilia, o Pontífice falou das bem- aventuranças, sublinhando as atitudes de “construir a paz” e acreditar nas possibilidades de mudança. “Felizes aqueles que são capazes de sujar as mãos e trabalhar para que outros vivam em paz. Felizes aqueles que se esforçam por não semear divisão. Dessa forma, a bem-aventurança nos faz artífices de paz; convida a empenhar-nos para que o espírito da reconciliação ganhe espaço entre nós. Queres ser ditoso? Queres felicidade? Felizes aqueles que trabalham para que outros possam ter uma vida ditosa. Queres paz? Trabalha pela paz”, completou.

 

PEDIDO DE PERDÃO 

No Palácio Presidencial La Moneda, em Santiago, Francisco fez seu primeiro discurso no Chile, diante da Presidente chilena, Michelle Bachelet, e representantes da sociedade civil. O Santo Padre enalteceu a pluralidade étnica, cultural e histórica da nação, que exige ser protegida de qualquer tentativa de parcialidade ou supremacia. 

Na ocasião, o Pontífice também manifestou “o pesar e a vergonha” diante do “dano irreparável causado às crianças por ministros da Igreja”, referindo-se aos casos de abusos sexuais cometidos por sacerdotes no País, divulgados na semana passada. “Desejo unir-me aos meus irmãos no episcopado, porque é justo pedir perdão e apoiar, com todas as forças, as vítimas, ao mesmo tempo em que devemos empenhar-nos para que isso não volte a se repetir”, afirmou.

 

PROGRAMAÇÃO

Em Santiago, o Papa também esteve em um centro penitenciário feminino e se reuniu com autoridades civis, bispos, sacerdotes e consagrados. Também visitará as cidades de Temuco, na quinta-feira, 18, e Iquique, na sexta-feira, 19. Em seguida, partirá para o Peru, onde irá a Puerto Maldonado, Trujillo e Lima.

A cobertura da viagem do Papa ao Chile e ao Peru pode ser vista na editoria 'Vaticano' do site.

 

INDÍGENAS

O Papa reservará dois principais momentos da viagem à comunidade indígena. No Chile, terá encontros com membros do povo Mapuche, na cidade de Temuco, localizada na região de La Araucanía; enquanto no Peru irá à Amazônia, em Puerto Maldonado, na sexta-feira, 19, onde almoçará com representantes dos povos amazônicos. Esse último encontro contará com a presença de um grupo de cem indígenas brasileiros, enviados pela Diocese de Rio Branco (AC) e pela Arquidiocese de Porto Velho (RO). 

Durante a tradicional saudação aos jornalistas a bordo do voo para Santiago, o Papa Francisco manifestou seu temor de uma guerra nuclear. Ele pediu que fossem distribuídas aos profissionais da imprensa cópias de uma fotografia que retrata uma criança que, após o bombardeio atômico em Nagasaki, no Japão, em 1945, leva seu irmãozinho morto nas costas para ser cremado. No verso da foto estava escrito “... o fruto da guerra”. 

“Eu me comovi quando vi esta [foto], e ousei escrever somente ‘o fruto da guerra’. E pensei em imprimi-la novamente e distribuí-la, porque uma imagem do gênero comove mais do que mil palavras. Por isso, quis compartilhá-la com vocês. E obrigado pelo trabalho de vocês!”, disse o Pontífice. 
 

BISPO DOS POBRES

No início do percurso entre o aeroporto de Santiago e a Nunciatura Apostólica do Chile, o Papa fez uma parada na Paróquia San Luis Beltran, onde se deteve em oração diante do túmulo Enrique Alvear Urrutia, Bispo Auxiliar de Santiago, que morreu em 1982. Entre 1962 e 1965, participou do Concílio Vaticano II. Conhecido como “Bispo dos pobres”, Dom Urrutia foi um incansável defensor dos direitos humanos, que foram violados sistematicamente no País a partir de 1973, quando o ditador Augusto Pinochet assumiu o poder. 

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Papa: jovens se sintam e sejam protagonistas no coração da Igreja

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18 de janeiro de 2018

“Arriscar, correr riscos. Queridos amigos, sede corajosos, ide prontamente ao encontro dos vossos amigos, daqueles que não conheceis ou que atravessam um momento difícil.” Foi a exortação do Papa Francisco no encontro com os jovens esta quarta-feira (17/01) no “Santuário de Maipú”, em Santiago, um dos eventos memoráveis desta visita do Santo Padre ao Chile, no âmbito de sua 22ª viagem apostólica internacional, que depois o levará ao Peru.

Um encontro de festa, com a alegria e o entusiasmo que os caracterizam, no qual o Sucessor de Pedro sentiu o calor e o afeto dos jovens chilenos. Após a saudação do jovem Ariel ao Santo Padre teve lugar um momento particularmente simbólico. Foi feita a apresentação do Símbolo dos jovens para o Sínodo: os jovens carregaram a Cruz do Chile. Tendo entregue ao Papa uma fita – sinal do sangue derramado por Cristo –, Francisco a colocou na Cruz.

 

Segundo centenário do Santuário dedicado à Virgem do Carmo

Já no início de seu discurso o Papa disse considerar muito importante poder estar com eles e “caminhar juntos por um pouco, ajudando-nos a olhar em frente!”, ressaltou, acrescentando a satisfação de encontrar-se no “Santuário de Maipú” dedicado à Virgem do Carmo, cujo templo comemora este ano seu segundo centenário.

“ A Virgem do Carmo acompanha-vos para poderdes ser os protagonistas do Chile que sonham os vossos corações. E sei que o coração dos jovens chilenos sonha, e sonha em grande. ”

“Vós gostais de aventuras e desafios. Antes, aborreceis-vos quando não tendes desafios que vos estimulem”, disse o Papa afirmando que em seu ministério episcopal teve a oportunidade de descobrir que há muitas e boas ideias no coração e na cabeça dos jovens.

“O problema somos nós, os grandes, que muitas vezes, com cara de sabichões, dizemos: ‘Pensa assim porque é jovem, depressa amadurecerá’. Até parece que amadurecer seja aceitar a injustiça, pensar que nada se pode fazer, resignar-se porque tudo sempre foi assim.”

Foi tendo em conta toda esta realidade dos jovens que o Papa disse querer realizar este ano o Sínodo e, antes do Sínodo, o Encontro de jovens, “para que se sintam e sejam protagonistas no coração da Igreja; para nos ajudar a fazer com que a Igreja tenha um rosto jovem”.

“ Quanta necessidade tem a Igreja chilena de vós, para nos ‘sacudirdes’ e ajudardes a estar mais perto de Jesus! ”

Tendo contado o caso do jovem que ao encontrar-se com seu celular com a bateria descarregada ou sem sinal da internet, disse-lhe que ficava aborrecido porque não podia acompanhar o que estava acontecendo, por ficar fora do mundo, Francisco afirmou que o mesmo pode nos acontecer com a fé.

“Sem conexão, sem a conexão com Jesus, acabamos por afogar as nossas ideias, os nossos sonhos, a nossa fé e enchemo-nos de mau humor. E de protagonistas que somos e queremos ser, podemos chegar a pensar que tanto vale fazer algo como não o fazer. Ficamos desconectados do que está acontecendo no ‘mundo’. Começamos a sentir que ficamos ‘fora do mundo’, como me dizia aquele jovem.”

Francisco apontou aos jovens a regra de ouro de Santo Alberto Hurtado, jesuíta chileno: “Que faria Cristo no meu lugar?”, qual palavra-chave, “a carga da bateria para acender o nosso coração, acender a nossa fé e a centelha nos nossos olhos. Isto é ser protagonistas da história”, afirmou.

 

Jesus é fonte de vida e de alegria

Olhos cintilantes porque descobrimos que Jesus é fonte de vida e alegria. Ser protagonistas é fazer o que Jesus fez. Onde quer que estejas, com quem quer que te encontres e seja a hora que for: “Que faria Jesus no meu lugar?”

“Ide com a única promessa que temos: no meio do deserto, do caminho, da aventura, sempre haverá a ‘conexão’, sempre existirá um ‘carregador de baterias’. Não estaremos sozinhos.” Sempre gozaremos da companhia de Jesus, de sua Mãe e duma comunidade. Uma comunidade que certamente não é perfeita, mas isso não significa que não tenha muito para amar e oferecer aos outros, acrescentou.

 

Premente exortação aos jovens chilenos

“Sede vós os jovens samaritanos que nunca abandonam um homem caído no caminho. Sede vós os jovens cireneus que ajudam Cristo a levar a sua Cruz e compartilham o sofrimento dos irmãos. Sede como Zaqueu, que transforma o seu coração materialista num coração solidário. Sede como a jovem Madalena, buscando apaixonadamente o amor, que só em Jesus encontra as respostas de que necessita. Tende o coração de Pedro, para deixar as redes nas margens do lago. Tende o carinho de João, para repor n’Ele todos os vossos afetos. Tende a disponibilidade de Maria para cantar com alegria (ao Senhor) e fazer a sua vontade”, exortou, por fim, Francisco.

 

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Francisco visita Temuco e encontra povo Mapuche

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17 de janeiro de 2018

No segundo dia de seu intenso calendário de atividades no Chile, o Papa Francisco se transfere nesta quarta-feira da capital Santiago para Temuco, no sul do país, onde encontra os povos indígenas Mapuche, -  que há tempo  - reivindicam um maior reconhecimento de sua cultura e de seus direitos.

O Papa vai celebrar a Santa Missa no aeroporto de Maquehue, com a presença de uma ampla representação de grupos étnicos indígenas. Às 12.45, hora local, na casa “Mãe da Santa Cruz”, almoçará com 11 habitantes da região da Araucanía, entre os quais oito membros do povo mapuche.

Às 15h30 locais, Francisco retornará de avião para Santiago, onde chegará uma hora e meia depois, e onde às 17h30 está previsto o encontro com os jovens no Santuário de Maipu. Enfim, o Papa fará uma visita à Pontifícia Universidade Católica do Chile, prevista para as 19:00 horas locais.

 

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Programação intensa marca primeiro dia do Papa no Chile

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16 de janeiro de 2018

O Papa Francisco já está no Chile. Depois de 15 horas de voo, o avião com a bordo o Pontífice aterrissou por volta das 1915 (hora local) no aeroporto de Santiago.

Ao descer da aeronave, Francisco recebeu um pequeno maço de flores de duas crianças e foi acolhido pela presidente chilena, Michelle Bachelet. Da pista do aeroporto, em carro fechado, o Papa seguiu em direção ao túmulo de Dom Enrique Alvear Urrutia, conhecido como o “bispo dos pobres”.

Foi o primeiro “ato” do Pontífice e a primeira modificação do programa pré-estabelecido.

 

Bispo dos pobres

Na paróquia San Luis Beltran, di Pudahuel, o Papa se deteve em oração diante do túmulo do bispo salesiano que morreu em 1982. Dom Alvear foi Arcebispo de Santiago. O Papa João XXIII o criou cardeal em 1962. Entre 1962 e 1965 participou do Concílio Vaticano II. Durante o seu episcopado, foi incansável defensor dos direitos humanos violados sistematicamente no seu país depois de 1973.

Sob a sua inspiração e direção, nasceu em 1976 a “Vicaria de la Solidaridad”, um refúgio para as vítimas das violações dos direitos humanos, aos quais era oferecido proteção jurídica e assistência médica.

Ao deixar a paróquia, o Santo Padre seguiu de carro fechado até o cruzamento da rua Brasil com a Avenida Libertador Bernardo O’Higgins, onde subiu a bordo do papamóvel até chegar à Nunciatura. No trajeto, foi saudado por milhares de chilenos, no primeiro contato com a multidão.

 

Transmissões ao vivo

A programação nesta terça-feira será intensa para o Papa. O dia começa com o encontro com as autoridades, a sociedade civil e o Corpo Diplomático no Palácio “La Moneda”. Depois, será a vez de celebrar a primeira missa no Parque O’Higgins. Na parte da tarde, Francisco visita o Centro Penitenciário Feminino de Santiago e, na Catedral, se encontra com sacerdotes, religiosos e religiosas, consagrados e seminaristas. O último evento previsto é o encontro com os bispos na sacristia da Catedral. Todos estes eventos serão transmitidos ao vivo pelo Vatican News com comentários em português.

 

Brasil

No trajeto de Roma que o levou ao Chile, o avião papal sobrevoou o território brasileiro.

E como prevê o protocolo, o Papa envia um telegrama ao presidente do país.

A Michel Temer, Francisco faz seus melhores votos, assim como a todos os cidadãos brasileiros, garantindo suas orações pela paz e a prosperidade do Brasil.

 

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Chile: peça de contexto

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15 de janeiro de 2018

O Papa Francisco vai visitar o Chile a partir desta segunda-feira dia 15 de janeiro. Encontrará grande entusiasmo e satisfação pela sua visita.

O Chile é uma República situado na ponta da América do Sul entre a cordilheira dos Andes e o Oceano Pacífico. Faz fronteira a norte com o Peru, a nordeste com a Bolívia, e a leste com a Argentina. O Chile possui um território com 4 300 quilómetros de comprimento e, 175 quilómetros de largura, o que dá ao país um clima muito variado, indo do deserto mais seco do mundo — o Atacama — no norte do país, a um clima mediterrânico no centro, até um clima alpino propenso à neve no sul. A capital é a cidade de Santiago do Chile.

Foi a partir do centro que se constituiu o país integrando no séc. XIX as regiões norte e sul. É aí no centro que está o maior número de população e de recursos agrícolas. Também as principais estruturas políticas, financeiras e culturais.

Antes da chegada dos europeus no século XVI, o norte do Chile estava sob o domínio inca, enquanto os índios Mapuches habitavam o centro e o sul do território. O Chile declarou a sua independência da Espanha em 1817, e venceu a Bolívia e o Peru na Guerra do Pacífico acontecida entre 1879 e 1883. No século XX o Chile viveu um período sangrento da sua história entre 1973 e 1990 durante a ditadura militar de Augusto Pinochet. Nesses anos morreram mais de 3 mil pessoas.

Atualmente, o Chile, dentro do contexto da América Latina, é um dos melhores países em termos de desenvolvimento humano. Em maio de 2010, o Chile tornou-se no primeiro país sul-americano a aderir à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, a OCDE. O Chile é governado por um regime presidencialista.

No próximo dia 11 de março tomará posse o novo presidente Sebastian Piñera que sucede a Michelle Bachelet, primeira presidente mulher da história do Chile. O país vive atualmente alguma instabilidade política.

A primeira missa em solo chileno teve lugar em 1520, ano em que por ali passou o navegador português Fernão de Magalhães. Ali chegaram os padres mercedários, dominicanos, franciscanos e jesuítas no século XVI. Nesta época a Igreja coloca-se na defesa das populações indígenas contra os colonos espanhóis. Um período marcado pelo martírio de vários missionários.

No século XIX a diocese de Santiago transforma-se em Arquidiocese Metropolita. Em 1888 foi fundada a Universidade Católica do Chile. 1925 foi o ano em que uma nova constituição promove a separação entre o Estado e a Igreja. O primeiro cardeal do Chile foi o Mons. José María Caro Rodríguez, arcebispo de Santiago em 1947. Durante a ditadura a Igreja escolheu a via do diálogo que teve um forte apoio em 1987 com a visita de S. João Paulo II que exortou o episcopado a dar todo o apoio à reconciliação do país. Em 1990 o Chile passou a ser um regime democrático.

De salientar que em 2008 a conferência episcopal chilena lançou um programa pastoral centrado sobre a atuação do Documento da Aparecida de 2007 aprovado na 5ª conferência do Celam o conselho episcopal latino-americano. Isto recordará Bento XVI aos bispos chilenos em dezembro de 2008 pedindo-lhes um renovado empenho missionário na formação dos jovens e na ajuda aos mais débeis.

Recorde-se que a 9 de outubro de 2012 D. Marco Antonio Órdenes Fernández, bispo de Iquique, foi obrigado a apresentar a sua demissão depois de denúncias que o ligavam a abusos contra adolescentes. Em julho de 2015 foram aprovadas pela Santa Sé as novas linhas da Conferência Episcopal do Chile contra a pedofilia.

Em 2017 foi legalizado o aborto no país. Em novembro passado os bispos chilenos publicaram uma carta pastoral com o título: “Chile, uma casa para todos”. Nesse texto os bispos exortam os chilenos a contribuírem para a superação do clima de desconfiança devido a escândalos e à situação atual de crise política. Nessa carta os bispos não esquecem um apelo para melhorar as condições nas prisões e assinalam com preocupação o clima de conflito com os indígenas Mapuche. Referem também a defesa do ambiente.

Esta é a Igreja e o país que o Papa Francisco visitará a partir desta segunda-feira dia 15 de janeiro. Uma visita com o lema: “Dou-vos a minha paz”.

 

Rui Saraiva (Lisboa) - Vatican News

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Papa: ter uma oração corajosa e perseverante que nasce da fé

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12 de janeiro de 2018

Como é a oração no Evangelho daqueles que conseguem obter do Senhor aquilo que pedem? Desta pergunta, partiu a reflexão do Papa na homilia da missa celebrada na sexta-feira, 12, na Casa Santa Marta.

 

A oração na fé e a partir da fé

O Evangelho de Marcos, tanto ontem como hoje, fala de duas curas: a do leproso e a do paralítico. Ambos rezam para obter a cura, ambos o fazem com fé: o leproso, destacou o Papa, desafia Jesus com coragem, dizendo: "Se queres, tens o poder de curar-me!". E a resposta do Senhor é imediata: "Eu quero". Portanto, tudo é possível para quem crê, como ensina o Evangelho":

Sempre, quando nos aproximamos do Senhor para pedir algo, se deve partir da fé e fazê-lo na fé: “Eu tenho fé que tu podes cura-me, eu creio que tu podes fazer isto” e ter a coragem de desafiá-lo, como este leproso de ontem, este homem de hoje, este paralítico de hoje. A oração na fé. 

 

Não rezamos como papagaios

O Evangelho nos leva portanto a interrogar-nos sobre nosso modo de rezar. Não o fazemos como "papagaios" e “sem interesse" naquilo que pedimos,  mas ao contrário, sugere o Papa,  suplicamos o Senhor que “ajude a nossa pouca fé” também diante das dificuldades.

De fato, são muitos os episódios do Evangelho em que aproximar-se do Senhor é difícil para quem se encontra em dificuldades e isso serve de exemplo para cada um de nós.

O paralitico, no Evangelho de hoje de Marcos, por exemplo, vem até mesmo baixado do teto para que sua maca chegue até o Senhor que está pregando entre a multidão. “A vontade leva a encontrar uma solução”, destacou Francisco, faz “ir além das dificuldades”:

Coragem para lutar e chegar ao Senhor. Coragem para ter fé, no início: “Se tu queres, tens o poder de curar-me. Se tu quiseres, eu creio”. E coragem para aproximar-me do Senhor, quando existem tantas dificuldades. Aquela coragem… Muitas vezes, é preciso paciência e saber esperar os tempos, mas não desistir, ir sempre em frente. Mas se eu com fé me aproximo do Senhor e digo: “Mas se queres, podes me dar esta graça” e depois mas... como a graça depois de três dias não veio, então uma outra coisa....e me esqueço. Coragem. 

 

Se a oração não é corajosa, não é cristã

Santa Mônica, mãe de Agostinho, rezou e "chorou muito" pela conversão do seu filho e conseguiu obtê-la. Então, o Papa a coloca entre os tantos Santos que tiveram grande coragem em sua fé. Coragem “para desafiar o Senhor”, coragem para “acreditar”, mesmo que não se obtenha logo o que se pede, porque na “oração se joga tudo” e “se a oração não é corajosa, não é cristã”:

A oração cristã nasce da fé em Jesus e segue sempre com a fé, para além das dificuldades. Uma frase para trazê-la hoje no nosso coração nos ajudará, do nosso pai Abraão, a quem foi prometida a herança, isto é, ter um filho aos 100 anos. Diz o apóstolo Paulo: “Creiam” e com isto foi justificado. A fé e “se colocou em caminho”: fé e fazer de tudo para chegar àquela graça que estou pedindo. O Senhor nos disse: “Peçam e vos será dado”. Tomemos também esta Palavra e tenhamos confiança, mas sempre com fé e acreditando. Esta é a coragem que tem a oração cristã. Se uma oração não é corajosa, não é cristã.

 

Vatican News

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Papa: "Missa, uma escola de oração para os fiéis"

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10 de janeiro de 2018

Nesta quarta-feira, 10 de janeiro, o Papa recebeu os fiéis na Sala Paulo VI, no Vaticano, para o encontro semanal aberto ao público. Cerca de 7 mil pessoas participaram da audiência, durante a qual o Pontífice fez uma catequese sobre o canto do Glória e a oração da coleta no âmbito da missa.  

O Papa explicou que depois do Ato Penitencial, quando nos despojamos de nossas presunções na esperança de sermos perdoados, expressamos gratidão a Deus cantando o hino do Glória, que assim como os Anjos cantaram no nascimento de Jesus, é um glorioso abraço entre o céu e a terra.

Logo após o ‘Glória’, na missa, temos a oração denominada ‘do dia’ ou ‘coleta’.

Com o convite ‘Oremos’, o sacerdote nos exorta a unirmo-nos a ele em um momento de silêncio para tomarmos consciência de estar diante de Deus e deixar emergir, de nossos corações, as nossas intenções pessoais

O sacerdote diz ‘Oremos’ e depois vem um momento de silêncio e cada um pensa nas coisas de que precisa ou quer pedir na oração”.

 

Rezar pelo silêncio em silêncio

Antes desta oração inicial, o silêncio nos ajuda no recolhimento, a pensarmos no porquê estamos ali: para invocar ajuda ao Senhor, pedir a sua proximidade nos momentos de fadiga, alegrias e dores; por familiares ou amigos doentes, ou ainda, para confiar a Deus o futuro da Igreja e do mundo.

“A isto serve o breve silêncio antes que o sacerdote, reunindo as preces de cada um,  expressa em voz alta em nome de todos a comum oração que conclui os ritos de introdução com a ‘coleta’ das intenções dos fiéis. Eu recomendo vivamente aos sacerdotes que observem este momento de silêncio e não terem pressa".

“ Oremos para que se faça silêncio; sem este silêncio, corremos o risco de subestimar o recolhimento da alma ”
 

O sacerdote faz um gesto como o de Cristo

O sacerdote a reza com os braços abertos, um gesto que os cristãos realizam desde os primeiros séculos para imitar Cristo com os braços abertos no lenho da Cruz. No Crucifixo reconhecemos o sacerdote que oferece a Deus a obediência final.

Concluindo, Francisco afirmou que as orações do Rito Romano são breves, mas ricas de significado; e meditar sobre seus textos, também fora da missa, pode nos ajudar a aprender como falar com Deus, o que  pedir, que palavras usar.

“ Que a liturgia possa se tornar para nós uma verdadeira escola de oração ”

No final do encontro, o Papa concedeu a todos a sua bênção apostólica.

 

Por Vatican News

 

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Antes de viajar, Papa envia mensagem aos povos do Chile e Peru

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09 de janeiro de 2018

Faltando poucos dias para sua próxima viagem apostólica ao Chile e Peru, a partir do dia 15 de janeiro, o Papa Francisco gravou uma mensagem em vídeo aos irmãos e irmãs destes povos.

“ Vou até vocês como peregrino da alegria do Evangelho, para compartilhar com todos a paz do Senhor e confirmá-los numa única esperança ”

“Desejo encontrar-me com vocês, olhá-los nos olhos, ver seus rostos e, em meio a todos, sentir a proximidade de Deus, sua ternura e misericórdia que nos abraça e consola”, prossegue.

 

Fé e amor pelos descartados

Conhecedor da história dos dois países, “construída  com afinco e entrega”, o Papa quer, a seu lado, agradecer a Deus pela fé e o amor aos irmãos mais necessitados, especialmente aos descartados da sociedade.

 

O desejo de ser partícipe

“Quero ser partícipe de suas alegrias, tristezas, dificuldades e esperanças, e dizer-lhes que não estão sós, que o Papa está com vocês, que a Igreja inteira os acolhe e os guarda”.

“Com vocês desejo experimentar a paz que vem de Deus... É o dom que Cristo nos fez a todos, fundamento de nossa convivência e da sociedade; a paz que se baseia na justiça... que traz alegria e nos impulsa a ser missionários, reavivando o dom da fé que nos conduz ao encontro, à comunhão compartilhada de uma mesma fé, celebrada e entregada”, prossegue a mensagem.

 

O encontro com Cristo ressuscitado nos confirma na esperança

“ Não queremos ficar ancorados nas coisas deste mundo, nosso olhar vai muito mais além, nossos olhos estão voltados à Sua misericórdia, que cura nossas misérias ”

 Somente Ele nos dá a força para nos erguermos e prosseguir. Sentir esta proximidade de Deus nos faz comunidade viva, capaz de nos comovermos com quem está ao nosso lado e dar passos firmes de amizade e fraternidade. Somos irmãos que vamos ao encontro dos demais para nos confirmarmos na mesma fé e esperança”.

O Papa encerra o vídeo colocando “nas mãos de Maria, Mãe da América, esta viagem apostólica e todas as intenções que temos em nossos corações, para que seja ela, como boa Mãe, nos acolha e nos ensine o caminho rumo a seu Filho”. 

 

Por Vatican News

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Papa: vida dupla dos pastores é ferida na Igreja

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09 de janeiro de 2018

Comoção, proximidade e coerência. Essas são as características do pastor e da sua “autoridade”, nas palavras do Papa na missa esta manhã na Casa Santa Marta.

Comentando o Evangelho do dia, de Marcos, dedicado a Jesus que ensinava “como quem tem autoridade”, Francisco explicou que se trata de um “ensinamento novo”: a “novidade” de Cristo é justamente o “dom da autoridade” recebido pelo Pai.

Diante dos ensinamentos dos escribas, dos doutores da lei, que mesmo “dizendo a verdade”, evidenciou o Papa, as pessoas “pensavam a outra coisa”, porque o que diziam “não chegava ao coração”: ensinavam “da cátedra e não se importavam com as pessoas”.

Ao invés, acrescentou Francisco, “o ensinamento de Jesus provoca o estupor, movimento no coração”, porque aquilo que “dá autoridade” é precisamente a proximidade e Jesus “tinha autoridade porque se aproximava das pessoas”, entendia os problemas, dores e pecados:

“Porque estava próximo, entendia; mas acolhia, curava e ensinava com proximidade. Aquilo que dá autoridade a um pastor ou desperta a autoridade que é dada pelo Pai é a proximidade: proximidade a Deus na oração – um pastor que não reza, um pastor que não busca Deus perdeu a proximidade das pessoas. O pastor separado das pessoas não chega a elas com a mensagem. Proximidade, esta dupla proximidade. Esta é a unção do pastor que se comove diante do dom de Deus na oração, e se pode comover diante dos pecados, do problema, das doenças das pessoas: deixa comover o pastor”.

 Os escribas, prosseguiu o Papa, tinham perdido a “capacidade” de se comover justamente porque “não estavam nem próximos das pessoas nem de Deus”. E quando se perde esta proximidade, destacou Francisco, o pastor acaba “na incoerência de vida”.

Jesus é claro nisto: “Façam aquilo que dizem” – digam a verdade – “mas não aquilo que fazem”:

“A vida dupla. É duro ver pastores com vida dupla: é uma ferida na Igreja. Os pastores doentes, que perderam a autoridade e seguem em frente com esta vida dupla. Existem tantas maneiras para levar em frente esta vida dupla: mas é dupla... E Jesus é muito forte com eles. Não somente diz às pessoas para ouvi-los, mas PARA não fazer aquilo que fazem, mas o que diz a eles? “Mas vocês são sepulcros caiados”: belíssimos na doutrina, por fora. Mas por dentro, podridão. Este é o fim do pastor que não tem proximidade com Deus na oração e com as pessoas na compaixão”.

Francisco cita a primeira leitura e repropõe a figura de Ana, que ora ao Senhor pedindo para ter um filho homem, e do sacerdote, o “velho Eli”, que “era um fraco, havia perdido a proximidade com Deus e com as pessoas”: havia considerado que Ana estava embriagada. Ela pelo contrário, estava rezando em seu coração, movendo somente os lábios.

Foi ela a explicar a Eli  estar “amargurada” e a falar foi o “excesso” de sua “dor” e de sua “angústia”.

E enquanto ela falava, Eli “foi capaz de aproximar-se daquele coração”, até dizer para ir em paz: “Vai em paz e que o Deus de Israel te conceda o que lhe pediste”.

Deu-se conta – observa o Papa – “de ter errado e brotou de seu coração a bênção e a profecia”, porque depois Ana deu à luz a Samuel:

“Eu diria aos pastores que viveram a vida separados de Deus e do povo, das pessoas: “Mas, não percam a esperança. Sempre existe a possibilidade. Para isto foi suficiente olhar, aproximar-se a uma mulher, ouvi-la e despertar a autoridade para abençoar e profetizar; a profecia foi feita e o filho da mulher veio”. A autoridade: a autoridade, dom de Deus. Somente vem d’Ele. E Jesus a dá aos seus. Autoridade no falar, que vem da proximidade com Deus e com as pessoas, as duas coisas sempre juntas. Autoridade que é coerência, não dupla vida. É autoridade, e se um pastor a perde, que ao menos não perca a esperança, como Eli: sempre há tempo para aproximar-se e despertar a autoridade e a profecia”.

 

Por: Rádio Vaticano

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