Papa: nunca prisioneiros de palavras ou fechados ao Espírito

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24 de abril de 2018

Na história do homem "sempre haverá resistência ao Espírito Santo", oposições às novidades e às "mudanças". Na homilia da missa celebrada em Santa Marta, o Papa Francisco reflete sobre a liturgia de terça-feira,24, detendo-se sobre as diferentes atitudes que o homem adota diante das novidades do Senhor, que "sempre vem ao nosso encontro com algo novo" e "original".

 

Os prisioneiros de ideias

No Evangelho de João, o fechamento dos doutores da lei é bem focalizado, atitude que então se torna "rigidez". São homens capazes de se concentrar apenas em si mesmos, inertes à obra do Espírito Santo e insensíveis às novidades. O Pontífice enfatiza, em particular, a sua completa incapacidade de "discernir os sinais dos tempos", sendo escravos de palavras e ideias.

"Eles voltam à mesma questão, eles são incapazes de sair daquele mundo fechado, eles são prisioneiros das ideias. Eles receberam a lei que era vida, mas eles a 'destilaram', eles a transformaram em ideologia e assim giram, giram e são incapazes de sair e qualquer novidade para eles é uma ameaça”

 

A liberdade dos filhos de Deus

Muito diferente, no entanto, deveria ser o calibre dos filhos de Deus, que apesar de ter talvez uma reticência inicial são livres e capazes de colocar no centro o Espírito Santo. O exemplo dos primeiros discípulos, contado na Primeira leitura, destaca sua docilidade ao novo e a capacidade de semear a Palavra de Deus, mesmo fora do padrão usual de "sempre se fez assim”. Eles, observa Papa Bergoglio, "mantiveram-se dóceis ao Espírito Santo para fazer algo que fosse mais do que uma revolução", "uma mudança forte", e ao centro "estava o Espírito Santo: não a lei, o Espírito Santo" .

"E a Igreja era uma Igreja em movimento, uma Igreja que ia além de si mesma. Não era um grupo fechado de eleitos, uma Igreja missionária: na verdade, o equilíbrio da Igreja, por assim dizer, está precisamente na mobilidade, na fidelidade ao Espírito Santo. Alguns dizem que o equilíbrio da igreja se assemelha ao equilíbrio da bicicleta: está parada e vai bem quando está em movimento; se você a deixa parada, cai. Um bom exemplo".

 

Oração e discernimento para encontrar o caminho

Fechamento e abertura: dois pólos opostos que descrevem como o homem pode reagir diante do sopro do Espírito Santo. O segundo, conclui o Papa Francisco, é precisamente "dos discípulos, dos apóstolos": a resistência inicial não é apenas humana, mas é também "uma garantia de que não se deixam enganar por alguma coisa e depois com a oração e o discernimento encontram o caminho" ".

"Sempre haverá resistência ao Espírito Santo, sempre, sempre, até o fim do mundo. Que o Senhor nos conceda a graça para saber resistir ao que devemos resistir, ao que vem do maligno, ao que que nos tira a liberdade e saibamos nos abrir às novidades, mas somente àquelas que vêm de Deus, com o poder do Espírito Santo e nos conceda a graça de discernir os sinais dos tempos para tomar as decisões que deveremos tomar naquele momento".

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Memória de São Jorge, onomástico do Papa: as felicitações do mundo inteiro

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23 de abril de 2018

Hoje, 23 de abril, a Igreja celebra a memória litúrgica de São Jorge, onomástico do Papa Jorge Mario Bergoglio. Felicitações estão chegando a ele de todo o mundo nestas horas.

 

A luta de São Jorge contra o dragão

Nascido na Capadócia, oficial do exército de Diocleciano, São Jorge morre mártir em 303, entre atrozes torturas, por não negar sua fé durante as perseguições anticristãs desencadeadas pelo imperador romano. Famoso o episódio lendário em que, protegido pela Cruz, mata o dragão que devorava as pessoas: símbolo de fé que triunfa sobre o mal.

 

Reflexões do Papa sobre a luta contra o mal

A oração do Pai nosso termina com esta invocação: livrai-nos do mal. Na realidade, explica Francisco, o mal não é algo abstrato, é uma pessoa: satanás. O Papa frequentemente cita o diabo em suas homilias e seus discursos. “A vida de Jesus foi uma luta - disse na Santa Missa em Santa Marta, no dia 11 de abril de 2014 - Ele veio para vencer o mal, para vencer o príncipe deste mundo, para vencer o demônio”. É uma luta que todo cristão deve enfrentar. E aqueles que querem seguir a Jesus devem “conhecer bem esta verdade”.

 

A luta contra a tentação

“Nós somos alvo do ataque do demônio - acrescentara o Papa - porque o espírito do Mal não quer a nossa santidade, não quer testemunho cristão, não quer que sejamos discípulos de Jesus. E como faz o espírito do Mal para nos afastar do caminho de Jesus com a sua tentação? A tentação do demônio tem três características e devemos conhecê-las para não cair nas armadilhas. Como faz o demônio para nos afastar do caminho de Jesus? A tentação começa levemente, mas cresce: cresce sempre. Em segundo lugar, cresce e contagia outro, se transmite para outro, tenta ser comunitária. E no final, para tranquilizar a alma, se justifica. Ela cresce, contagia e se justifica”.

 

Nós não devemos ser ingênuos

O Papa continua: “Alguns de vocês, talvez, eu não sei, pode dizer: 'Mas, padre, mas que antigo é o senhor: falar do diabo no século XXI!' Mas olhem que o diabo existe! O diabo existe. Mesmo no século XXI! E não devemos ser ingênuos. Devemos aprender do Evangelho como se luta contra ele”.

 

O ataque à unidade da Igreja

A palavra "diabo" deriva do grego "dia-bolos", é "aquele que divide". Satanás quer separar de Deus, quer separar os irmãos, ataca a unidade da Igreja. "A autodestruição ou o fogo de soldados companheiros – afirma o Papa Francisco - é o perigo mais sutil. É o mal que atinge de dentro; e, como Cristo diz, todo reino dividido em si mesmo vai em ruínas" (Saudações à Cúria Romana, 22 de dezembro de 2014). O diabo procura destruir a Igreja. A sua "é uma guerra suja" e "nós ingênuos participamos do seu jogo" (missa em Santa Marta, 12 de setembro de 2016). "O diabo tenta criar guerra interna, uma espécie de guerra civil e espiritual. Uma guerra que não é feita com armas, que nós conhecemos: é feita com a língua" (Homilia para a Gendarmaria do Vaticano, 28 de setembro de 2013).

 

Nunca ceda ao desânimo: nossa alegria é Jesus

Esta é a exortação de Francisco: "Nunca ceder ao pessimismo, àquela amargura que o diabo nos oferece todos os dias; nunca ceder ao pessimismo e ao desânimo: temos a firme certeza de que o Espírito Santo dá à Igreja, com seu sopro poderoso, a coragem de perseverar "(Audiência aos Cardeais, 15 de março de 2013). "A nossa não é uma alegria que vem do possuir muitas coisas, mas nasce de ter encontrado uma Pessoa: Jesus, que está entre nós; nasce de saber que com Ele nunca estamos sozinhos, mesmo em momentos difíceis, mesmo quando o caminho da vida se depara com problemas e obstáculos que parecem intransponíveis, e há muitos! E neste momento vem o inimigo, vem o diabo, disfarçado de anjo muitas vezes, e insidiosamente nos diz a sua palavra. Não dê ouvidos a ele! Vamos seguir Jesus! "(Homilia do Domingo de Ramos, 24 de março de 2013).~

Esta é a exortação de Francisco: "Nunca cedemos ao pessimismo, àquela amargura que o diabo nos oferece todos os dias; não cedemos ao pessimismo e ao desânimo: temos a firme certeza de que o Espírito Santo dá à Igreja, com seu sopro poderoso, a coragem de perseverar "(Audiência aos Cardeais, 15 de março de 2013). "Nossa não é uma alegria que vem de possuir muitas coisas, mas nasce de ter encontrado uma Pessoa: Jesus, que está entre nós; vem de saber que nunca estamos sozinhos com ele, mesmo em momentos difíceis, mesmo quando o caminho da vida se depara com problemas e obstáculos que parecem intransponíveis, e há muitos! E neste momento o inimigo vem, o diabo vem, disfarçado de anjo muitas vezes, e insidiosamente nos diz sua palavra. Não dê ouvidos a isso! Vamos seguir Jesus! "(Homilia do Domingo de Ramos, 24 de março de 2013).

 

A luta cristã é vencer o mal com o bem

São Jorge derrotou o dragão, símbolo de uma vitória da fé que tem modalidades precisas. O Papa aponta para algumas com o convite "a não criar muros, mas pontes, a não para retribuir o mal com o mal, a vencer o mal com o bem, a ofensa com o perdão - o cristão nunca pode dizer: você vai me pagar por isso! nunca; este não é um gesto cristão; a ofensa se vence com o perdão – a viver em paz com todos. Esta é a Igreja! E isso é o que a esperança cristã faz quando assume as características fortes e ao mesmo tempo ternas do amor. O amor é forte e terno. É lindo" (audiência geral de 8 de fevereiro de 2017).

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Papa em Alessano: Livrar-se dos sinais do poder, para dar espaço ao poder dos sinais

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20 de abril de 2018

O Papa Francisco deixou o Vaticano na manhã desta sexta-feira, 20, para fazer uma Visita Pastoral à região da Puglia, no sul da Itália. Durante a sua breve viagem em território nacional, o Santo Padre esteve em Alessano, Diocese de Ugento, e em Molfetta, Diocese de Bari.

O objetivo desta sua primeira visita à Puglia é celebrar o 25° aniversário de morte de Dom Tonino Bello, cuja Causa de Beatificação está em andamento. Dom Antonino nasceu em Alessano, no dia 18 de março de 1935, e faleceu em Molfetta, em 20 de abril de 1993, onde desempenhou sua missão episcopal.

Na cidade de Alessano, o Papa visitou o túmulo do Servo de Deus, Dom Tonino, onde cumprimentou os seus familiares. A seguir, na praça diante do Cemitério, o Papa pronunciou seu discurso aos fiéis da localidade citando e refletindo sobre algumas palavras de agradecimento de Dom Tonino: “Obrigado, minha terra, pequena e pobre, que me fez nascer pobre, como você, mas, precisamente por isso, de você recebi a riqueza incomparável de entender os pobres e, hoje, poder servi-los”. A este respeito, Francisco disse:

Entender os pobres foi para ele uma verdadeira riqueza. E com razão, pois os pobres são a riqueza da Igreja. O Evangelho, de fato, apresenta-nos, muitas vezes, uma vida incômoda, porque quem segue a Jesus ama os pobres e os humildes. Foi o que fez Dom Tonino: não buscou privilégios e uma vida cômoda, mas viveu ao lado dos pobres, sob o exemplo de Jesus que “era rico, mas se fez pobre”.

O Servo de Deus preocupava-se com a indiferença, com a falta de trabalho, e colocava, acima de tudo, a dignidade do homem. Ele semeava a paz, a melhor maneira de prevenir a violência e todo tipo de guerra; colocava-se a serviço dos mais necessitados e promovia a justiça social. E o Papa explicou:

Queridos irmãos e irmãs, esta vocação de paz pertence à sua terra, a esta maravilhosa terra de fronteira “finis-terre”, que Dom Tonino chamava “terra-janela”, porque o Sul da Itália se abre ao Sul do mundo, onde os pobres são bem mais numerosos e os ricos mais ricos. De fato, vocês são uma “janela aberta” para a pobreza do mundo, mas também uma “janela de esperança”, para que o Mediterrâneo, bacia histórica de civilização, não seja palco de guerra, mas arca de paz acolhedora”.

Nesta terra, disse o Papa, desabrochou a vocação de Dom Tonino, que ele a chamava “evocação” de Deus, capaz de transformar nossas vidas frágeis. Vocação, para Dom Tonino, “é uma chamada a ser fiéis, não apenas devotos, mas verdadeiros apaixonados por Deus”. Com este desejo, o Servo de Deus recomendava aos seus sacerdotes e fiéis uma Igreja aberta para o mundo, não mundana. Aqui, Francisco ressaltou outra qualidade de Dom Tonino:

O nome de Dom Tonino representa a sua salutar alergia pelos títulos e honras. Seu desejo era privar-se de qualquer coisa por Jesus, que se despojou totalmente na cruz; era livrar-se dos “sinais do poder” para dar espaço ao “poder dos sinais”. Dom Tonino exortava os fiéis a “serem contempla-ativos, ou seja, partir da contemplação para desembocar no dinamismo, na ação; deter-se diante do sacrário e partir para a missão evangélica”.

O Santo Padre concluiu seu discurso invocando a Mãe do Senhor, a fim de nos ajudar a ser sempre Igreja contemplativa, apaixonada por Deus e pelo homem. Por fim, convidou os presentes a imitar o Servo de Deus, Dom Tonino, deixando-nos guiar pelo seu jovem ardor cristão.

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Papa Francisco: não existe evangelização de poltrona

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19 de abril de 2018

O Papa Francisco celebrou na manhã de quinta-feira, 19, a missa na capela da Casa Santa Marta, refletindo sobre o trecho dos Atos dos Apóstolos. No Evangelho do dia, um anjo do Senhor diz a Filipe “Prepara-te e vai para o sul,
no caminho que desce de Jerusalém a Gaza. O caminho é deserto”.

 

A semente da Palavra de Deus

Francisco explicou que, depois do martírio de Estevão, “começou uma grande perseguição” para os cristãos e “os discípulos se espalharam por todos os lados”, na Judeia, em Samaria. Mas justamente aquele “vento da perseguição” – acrescentou – levou os discípulos a irem “além”.

Assim como faz o vento com as sementes das plantas, as leva além e semeia, assim aconteceu aqui: eles foram além, com a semente da Palavra, e semearam a Palavra de Deus. E assim podemos dizer, brincando um pouco, que nasceu ‘propaganda fide’. Assim. De uma perseguição, de um vento, os discípulos levaram a evangelização. E este trecho que hoje lemos, dos Atos dos Apóstolos, é de uma grande beleza… Mas é um verdadeiro tratado de evangelização. Assim o Senhor evangeliza. Assim o Senhor anuncia. Assim o Senhor quer que evangelizemos.

 

As três palavras da evangelização

Francisco destacou que é o Espírito a impulsionar Filipe – e nós cristãos – à evangelização. Esta se “estrutura” em três palavras-chave: “levantar-se”, “aproximar-se” e “partir da situação”.

A evangelização não é um plano bem feito de proselitismo: “Vamos aqui e façamos muitos prosélitos, de lá, e muitos...” Não… É o Espírito que diz como você deve ir para levar a Palavra de Deus, para levar o nome de Jesus. E começa dizendo: “Levante-se e vai'”. Levante-se e vai até aquele lugar. Não existe uma evangelização “de poltrona”. “Levante-se e vai'”. Em saída, sempre. “Vai”. Em movimento. Vai ao lugar onde você deve anunciar a Palavra.

Francisco então recordou os muitos homens e mulheres que deixaram pátria e família para ir a terras distantes para levar a Palavra de Deus. E muitas vezes, “despreparados fisicamente, porque não tinham os anticorpos para resistir às doenças daquelas terras”, morriam jovens ou “martirizados”: se trata, diz o Papa - recordando as palavras ditas por um cardeal – de “mártires da evangelização”.

 

Nenhuma teoria para a evangelização

O Pontífice explicou ainda que não é necessário nenhum “vade-mécum da evangelização”, mas é preciso “proximidade”, aproximar-se “para ver o que acontece” e partir “da situação”, não de uma “teoria”.

Não se pode evangelizar em teoria. A evangelização é um pouco corpo a corpo, pessoa a pessoa. Parte-se da situação, não das teorias. E anuncia Jesus Cristo, e a coragem do Espírito o impulsiona a batizá-lo. Vai além, vai, vai, até que sente que acabou a sua obra. Assim se faz a evangelização. Essas três palavras são chave para todos nós cristãos, que devemos evangelizar com a nossa vida, com o nosso exemplo, e também com a nossa palavra. “Levante-se, levante-se”; “aproxime-se”: proximidade; e “partir da situação”, aquela concreta. Um método simples, mas é o método de Jesus. Jesus evangelizava assim. Sempre em caminho, sempre na estrada, sempre próximo às pessoas, e sempre partia de situações concretas, das concretudes. Somente se pode evangelizar com essas três atitudes, mas sob a força do Espírito. Sempre o Espírito nem mesmo esses três atitudes servem. É o Espírito que nos impulsiona a nos levantar, a nos aproximar e a partir das situações.

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Papa: Batismo implica uma resposta pessoal

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18 de abril de 2018

O sinal da fé cristã: este foi o tema da catequese do Papa Francisco na Audiência Geral de quarta-feira,18.

Na semana passada, o Pontífice iniciou uma nova série, desta vez sobre o Batismo, neste Tempo de Páscoa.

O Papa recordou que semana passada pediu como tarefa aos fiéis presentes na Audiência que procurassem conhecer o dia do batismo. E renovou o pedido, acrescentando que o batismo é um renascimento, um “segundo aniversário”.

 

"Copiar e colar" 

Francisco explicou o significado da celebração, começando pelo rito de acolhimento. Antes de tudo, pergunta-se o nome do candidato, porque o nome indica a identidade de uma pessoa, nos tira do anonimato.

“ Deus chama cada um pelo nome, amando-nos singularmente, na concretude da nossa história. O Batismo acende a vocação pessoal a viver como cristãos, que se desenvolverá durante toda a vida. E implica uma resposta pessoal e não emprestada, com um ‘copiar e colar’. ”

 

A fé não se compra

A fé, prosseguiu Francisco, é um dom que vem do alto, não se pode comprar, mas sim pedir. “’Senhor, dá-me o dom da fé’, é uma bela oração”, disse o Papa. A formação dos catecúmenos e a preparação dos pais são importantes para suscitar e despertar uma fé sincera.

Se os catecúmenos adultos manifestam em primeira pessoa aquilo que desejam receber como dom da Igreja, as crianças são apresentadas pelos pais, com os padrinhos.

Expressão disto tudo é o sinal da cruz que o celebrante e os pais traçam sobre a testa das crianças, que manifesta o sigilo de Cristo sobre aquele que está para Lhe pertencer e significa a graça da redenção.

 

Marca pascal

“A cruz é o distintivo que manifesta quem somos”, explicou o Papa: o nosso falar, pensar, olhar e agir está sob o sinal da cruz, isto é, do amor de Jesus até o fim. As crianças são marcadas na testa e os catecúmenos adultos são marcados também nos sentidos. Torna-se cristão à medida em que a cruz se imprime em nós como uma marca ‘pascal’, tornando visível, inclusive exteriormente, o modo cristão de enfrentar a vida.

“Fazer o sinal da cruz quando acordamos, antes das refeições, diante de um perigo, em defesa contra o mal, antes de dormir, significa dizer a nós mesmos e aos outros a quem pertencemos, quem queremos ser. E por isso é importante ensinar as crianças a fazer bem o sinal da cruz”, disse Francisco, reforçando este conceito pelo menos três durante a Audiência. E concluiu:

“ E assim como fazemos entrando na igreja, podemos fazê-lo também em casa, conservando em um pequeno recipiente um pouco de água benta: assim, toda vez que entramos ou saímos, fazendo o sinal da cruz com aquela água nos lembramos que somos batizados. ”

 

Banco Mundial

Ao final da Audiência Geral, o Papa Francisco recordou que sábado próximo, em Washington, têm início as reuniões de primavera do Banco Mundial.

“Encorajo os esforços que, mediante a inclusão financeira, tentam promover a vida dos mais pobres, favorecendo um autêntico desenvolvimento integral e respeitoso da dignidade humana.”

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Papa: o profeta é um homem de esperança

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17 de abril de 2018

“Insensíveis e incircuncisos de coração e ouvido! Vós sempre resististes ao Espírito Santo e como vossos pais agiram, assim fazeis vós!”

Estêvão, o primeiro mártir da Igreja, assim acusava o povo, os anciãos e os escribas que o haviam levado ao tribunal. Tinham o coração fechado, não queriam ouvi-lo e não recordavam mais a história de Israel.

O Papa Francisco repassa estes acontecimentos narrados no Livro dos Atos dos Apóstolos, na leitura proposta pela liturgia do dia.

E como os profetas foram perseguidos por seus pais, assim estes anciãos e escribas “enfurecidos em seus corações, rangem os dentes contra Estêvão e arrastaram-no para fora da cidade e começaram a apedrejá-lo”.

E o Papa comenta, que “quando o profeta chega à verdade e toca o coração, ou coração se abre ou o coração torna-se mais pedra, desencadeando a raiva, a perseguição”. “Assim acaba a vida de um profeta”.

A verdade, tantas vezes incômoda, não é agradável de ser ouvida. Neste sentido, Francisco recorda que “os profetas sempre tiveram estes problemas de perseguição por dizer a verdade”:

“Mas para mim, qual é o teste de que um profeta, quando fala forte, diz a verdade? É quando este profeta é capaz não somente de dizer, mas de chorar sobre o povo que abandonou a verdade. E Jesus, por um lado repreende com aquelas palavras duras: “geração perversa e adúltera”,  diz por exemplo. Por outro, chora sobre Jerusalém. Este é o teste. Um verdadeiro profeta é aquele que é capaz de chorar por seu povo e também de dizer as coisas fortes quando for necessário. Não é morno, é sempre assim, direto”.

Mas o verdadeiro profeta não é um “profeta das desventuras”, precisa Francisco. O verdadeiro profeta é um profeta de esperança:

“Abrir portas, curar as raízes, curar a pertença ao povo de Deus para seguir em frente. Não é por ofício um repreensor….não! É um homem de esperança. Repreende quando é necessário e abre as portas olhando o horizonte da esperança. Mas o verdadeiro profeta, se desempenha bem a sua missão, arrisca a própria pele”.

Assim com Estêvão, que morre sob os olhos de Saulo, por ser coerente com a verdade. E o Papa cita uma frase de um dos primeiros Padres da Igreja: “O sangue dos mártires é semente de novos cristãos”:

“A Igreja tem necessidade dos profetas. E diria mais: tem necessidade de que todos nós sejamos profetas. Não críticos, isto é outra coisa. Uma coisa é sempre o juiz crítico, ao qual nada lhe agrada, nenhuma coisa lhe agrada.: “Não, isto não está certo, não está bem, não está bem, não está certo, isto deve ser assim…” Este não é um profeta. O profeta é aquele que reza, olha para Deus, olha para seu povo, sente dor quando o povo erra, chora – é capaz de chorar pelo povo – mas é também capaz de arriscar a própria pele para dizer a verdade”.

“Que não falte à Igreja – conclui o Papa – este serviço da profecia, para seguir sempre em frente”.

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O pecado envelhece o coração, mas Cristo nos renova, diz Francisco

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16 de abril de 2018

Pedimos a graça de acreditar que “Cristo está vivo, ressuscitou”. Esta é a oração do Papa Francisco na homilia da Missa celebrada na Paróquia São Paulo da Cruz, naquela que foi sua 16ª visita pastoral a uma Paróquia romana.

No coração da paróquia da periferia romana, as palavras do Papa assumem um significado particular entre os moradores de um bairro que muitas vezes é relacionado a problemas de marginalização, delinquência e pobreza, como refere o pároco Pe. Roberto Cassano.

 

Deixar entrar no coração a “verdade de Cristo”

Nas dificuldades do dia a dia, o Pontífice encoraja a deixar entrar “no coração” a verdade de Cristo.

Meditando sobre as Leituras e o Evangelho do domingo, que ainda ressoam o clima de alegria pascal pela ressurreição de Jesus, Francisco recorda como os discípulos, quando viram Jesus depois da Ressurreição, tinham duvidado, porque aquela verdade ainda não tinha “entrado no coração”: é “menos perigoso” – observa – ter uma verdade “na mente” do que “tê-la no coração”. Eles “pela alegria não podiam crer” mas - observa o Papa - no fim “acreditaram”:

E essa, é a renovada juventude que recebemos do Senhor. Na Oração da Coleta falamos: a renovada juventude. Somos acostumados a envelhecer com o pecado… E o pecado envelhece o coração, sempre. Deixa o coração duro, velho e cansado. O pecado cansa o coração e perdemos um pouco da fé em Cristo Ressuscitado.

“Não, não penso. Isso seria muita alegria. Sim, sim, está vivo, mas está no Céu com seus negócios”. Mas os seus negócios sou eu! Cada um de nós!

 

A força de Jesus ressuscitado

Diante do nosso pecado, prossegue Francisco, temos “um advogado junto do Pai”:

Não tenham medo, Ele perdoa. Ele nos aproxima. O pecado nos envelhece, mas Jesus, ressuscitado, vivo, nos renova. Esta é a força de Jesus ressuscitado. Quando nos aproximamos do sacramento da penitência é para sermos renovados, para rejuvenescer. É isso que faz Jesus ressuscitado.

 

O encontro com quem sofre

A nossa “verdadeira juventude” é portanto “a vitória de Cristo sobre a morte, a vitória de Cristo sobre o pecado”:

Peçamos ao Senhor a graça que a alegria não nos impeça de crer, a graça de tocar Jesus ressuscitado, tocá-lo no encontro com a oração, no encontro nos Sacramentos, no encontro com o seu perdão que é a renovada juventude da Igreja, no encontro com os doentes, quando vamos visitá-los, com os encarcerados, com os mais necessitados, com as crianças e com os idosos. Se sentimos vontade de fazer o bem, é Jesus que nos leva a esta ação. É sempre a alegria; a alegria que nos faz jovens. Peçamos a graça de ser uma comunidade alegre, porque cada um de nós é seguro, tem fé e encontrou o Cristo ressuscitado.

 

Saudação final

Enfim, no final da celebração, diante da igreja o Papa fez uma saudação aos moradores do bairro Corviale, repetindo que “todos precisamos uns dos outros”. Um motivo para irmos adiante “juntos”.

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Vozes da amazônia são ouvidas na preparação do Sínodo

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13 de abril de 2018

Na Secretaria para o Sínodo estiveram reunidos na manhã desta quinta-feira, 12 de abril, os 18 membros do Conselho Sinodal e mais 13 especialistas em questões amazônicas, na abertura dos trabalhos do pré-Sínodo. O encontro de abertura foi presidido pelo Santo Padre, o Papa Francisco.

O cardeal Lorenzo Baldisseri, secretario do Sínodo, definiu a Amazônia como um jardim de imensas riquezas e recursos naturais, terra mãe de povos indígenas, com uma história própria e um rosto inconfundível. Terra ameaçada pela ambição sem limites e o afã de domínio dos poderosos.

Outro elemento, foram os novos caminhos que estão no título deste Sínodo que se realizará em outubro do ano que vem, enquanto a terra amazônica apresentada como um espaço sócio cultural que implica um duplo desafio: por um lado, um desafio para a Igreja, no sentido que a Amazônia é uma terra de missão, com características próprias que exigem caminhos novos e soluções apropriadas para inculturação no Evangelho; por outro lado, não menos importante, está o desafio apresentado pela problemática ecológica, que exige como resposta uma ecologia integral na linha com a Encíclica Laudato Si.

Os trabalhos do Conselho pré-sinodal para a Amazônia continuam até sexta-feira, 13 de abril, pela tarde. Os encontros contam sempre com a presença do Papa Francisco. Os documentos preparatórios, chamados lineamenta, baseiam-se no método ver, julgar e agir.

Padre Justino Rezende, da etinia Tuyuca, era o único indígena presente. É um missionário salesiano há 34 anos e sacerdote há 24. Na sua apresentação ao Santo Padre e aos demais membros do pré-Sínodo, falou de sua alegria de ser um dos participantes, de estar pela primeira vez diante do Santo Padre e da presença da Igreja no meio de seu povo.

Agradeço ao Papa Francisco, ao cardeal Baldisseri, aos bispos, padres e assessores que fazem parte do conselho sinodal. Estou aqui falando em nome dos povos da Amazônia, especialmente em nome dos povos indígenas, sou o único indígena presente. Com gratidão digo que a Igreja está olhando para nós, com o coração e a mente voltados para nós. Está depositando em nós, povos da amazônia, esperança de receber contribuições importantes para que a Igreja seja cada vez mais universal. Nós povos indígenas, fomos evangelizados, evangelizadores hoje, também vamos contribuir para o enriquecimento da nossa Igreja.

O Senhor é nosso irmão maior, é nosso guia e nosso Pastor. Através deste sínodo temos a importante oportunidade para inovar a nossa Igreja presente na Amazônia. Agradecemos também a todos os missionários, bispos e padres, que deram a vida pelos nossos povos, defendendo nossas vidas e nossas culturas, sendo martirizados dando o sangue para banhar as terras amazônicas.

Se não fosse a Igreja já teríamos acabado. A Igreja está presente, muitos missionários adquiriram os rosto indígena, aprendendo a cultura, o idioma, as tradições e não quiseram mais retornar. Estão sepultados conosco. Graças ao nosso bom Deus, pelo trabalho missionário surgiram muitos leigos comprometidos com a Igreja – catequistas, ministros extraordinários, religiosos e sacerdotes. E este é o rosto que temos a oferecer enquanto Igreja. Estamos lá, mas também aqui no coração da nossa Igreja. 

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Papa: o mundo clama "liberdade", mas é sempre mais escravo

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13 de abril de 2018

Somos livres de seguir Jesus? Somos livres das paixões, das ambições, da moda? São as perguntas com as quais o Papa Francisco concluiu a homilia da missa celebrada na sexta-feira na capela da Casa Santa Marta, na qual comentou a primeira leitura, dos Atos dos Apóstolos, e o Evangelho de João sobre a multiplicação dos pães e dos peixes.

 

Gamaliel

A liberdade da qual falamos neste tempo pascal, iniciou o Papa, é a liberdade dos filhos que Jesus nos doou “com a sua obra redentora”. A primeira pessoa livre sobre a qual nos faz refletir a Liturgia é Gamaliel, o doutor da lei fariseu que, nos Atos dos Apóstolos, convence o Sinédrio a libertar Pedro e João, na prisão por terem curado um paralítico. Gamaliel, explicou Francisco, é um “homem livre, pensa de cabeça fria, os faz raciocinar”, os convence de que “o tempo faz o seu trabalho”.

O homem livre não tem medo do tempo: deixa Deus agir. Dá espaço para que Deus aja no tempo. O homem livre é paciente. E este homem era um judeu – não era cristão, não reconheceu Jesus salvador – mas era um homem livre. Formula o seu pensamento, o oferece aos outros e é aceito. A liberdade não é impaciente.

Também Pilatos pensou com cabeça fria, prosseguiu Francisco, e percebeu que Jesus era inocente. “Mas não conseguiu resolver o problema, porque não era livre, estava preso à promoção”, “faltava a ele a coragem da liberdade porque era escravo do carreirismo, da ambição, do seu sucesso”.

 

Pedro e João

O segundo exemplo de liberdade são Pedro e João, “que tinham curado o paralítico e agora estavam diante do Sinédrio”. No final, o Sinédrio os liberta, mas os faz flagelar embora inocentes.

Punidos injustamente, recordou o Papa, “foram embora do Sinédrio felizes de terem sido julgados dignos de sofrer insultos em nome de Jesus”. “Esta é a alegria de imitar Jesus – comentou o Pontífice. É outra liberdade: maior, mais ampla, mais cristã”. Pedro poderia ter ido do juiz e abrir uma causa contra o Sinédrio, pedindo ressarcimento. E, ao invés, estava feliz como João, “porque sofreram em nome de Jesus”. Talvez recordaram as palavras do Mestre: “Bem-aventurados quando forem insultados e perseguidos por minha causa”.

“Eram livres no sofrimento para seguir Jesus”, explicou ainda Francisco. É a atitude cristã: “Senhor, tu me destes muito, sofrestes muito por mim. Que posso fazer por Ti? Toma, Senhor, a minha vida, a minha mente, o meu coração, tudo é Teu”.

Esta é a liberdade de alguém apaixonado por Jesus Cristo. Selado pelo Espírito Santo, com a fé em Jesus Cristo. Tu fizestes isso por mim, eu faço isto por Ti. Também hoje existem muitos cristãos presos, torturados, que levam avante esta liberdade: de confessar Jesus Cristo.

 

Jesus

O terceiro exemplo é o próprio Jesus, que faz o milagre da multiplicação dos pães. No final, as pessoas ficam entusiasmadas e Jesus entende que “estavam chegando para fazê-lo rei”. Então se retira novamente sobre o monte. “Distanciou-se do triunfalismo. Não se deixou enganar por este triunfalismo – comentou o Papa - Era livre”.

Assim como no deserto, quando rechaçou as tentações de satanás “porque era livre, e a sua liberdade era seguir a vontade do Pai”. “E acabará na cruz. É o exemplo da liberdade maior: Jesus”. Ele seguiu a vontade do Pai para restabelecer a nossa condição de filhos.

Pensemos neste dia na minha liberdade, na nossa liberdade. Três exemplos – Gamaliel, Pedro e João; e o próprio Jesus – a minha liberdade é cristã? Sou livre? Ou sou escravo das minhas paixões, das minhas ambições, de tantas coisas, das riquezas, da moda? Parece uma brincadeira, mas quantas pessoas são escravas da moda! (…) Pensemos na nossa liberdade, neste mundo que é um pouco “disturbado”, esquizofrênico, não? Clama: “Liberdade, liberdade, liberdade!”, mas é mais escravo, escravo, escravo. Pensemos nesta liberdade que Deus, em Jesus, nos doa.

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‘Alegrai-vos e exultai’: A santidade é a meta de todo cristão

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12 de abril de 2018

Além de admirar os santos e rezar com eles, todo cristão deve buscar a santidade em sua própria vida cotidiana, na realidade onde se encontra, e praticá-la mesmo com pequenos gestos de caridade – não de forma individualista, mas junto a toda a comunidade, na Igreja. Esta é uma possível chave de leitura da nova exortação apostólica do Papa Francisco, Gaudete et Exsultate (Alegrai-vos e exultai), sobre o chamado à santidade no mundo contemporâneo, publicada na segunda-feira, 9. 

“Para um cristão, não é possível pensar a própria missão sobre a terra sem concebê-la como um caminho de santidade, porque esta é, de fato, vontade de Deus”, afirma o Sumo-Pontífice no texto, citando a primeira carta de São Paulo aos Tessalonicenses (4,3). “Todo santo é uma missão; é um projeto do Pai para refletir e encarnar, em um momento determinado da história, um aspecto do Evangelho”, completa. 

E mesmo os santos reconhecidos não eram pessoas sem erros ou pecados. “Talvez a vida deles não tenha sido perfeita. Mas, mesmo diante da imperfeição e de quedas, continuaram a seguir em frente e são agradáveis ao Senhor. Os santos que já alcançaram a presença de Deus mantêm conosco um laço de amor e de comunhão”, explica.

Nesse sentido, “muitas vezes, temos a tentação de pensar que a santidade é reservada àqueles que têm a possibilidade de manter distância das ocupações ordinárias, para dedicar muito tempo à oração. Não é assim. Todos somos chamados a ser santos, vivendo com amor e oferecendo, cada um, o próprio testemunho nas ocupações de cada dia”, insiste Francisco

 

INTEGRAR AÇÃO E ORAÇÃO

O Papa reserva parte do texto à oração, recordando que Jesus é o caminho para o bom discernimento, em meio a desafios da vida. Inclusive, dedica grande atenção à “luta constante contra o diabo”, que, segundo o Pontífice, não é “um mito, uma representação, um símbolo, uma figura ou uma ideia”. Para vencê-lo, é preciso usar “as armas poderosas que o Senhor nos dá: a fé que se expressa na oração e na meditação da Palavra de Deus, a celebração da missa, a adoração eucarística, a reconciliação sacramental, as obras de caridade, a vida comunitária, o empenho missionário”. 

Portanto, embora veja a oração pessoal no centro da vida cristã, a proposta de santidade apresentada pelo Papa na Gaudete et Exsultate prevê o encontro com o próximo no mundo, transformando-o por meio do serviço e do “empenho evangelizador”. 

“Não é saudável amar o silêncio e evitar o encontro com o outro, desejar o repouso e rejeitar a atividade, buscar a oração e subvalorizar o serviço. Tudo pode ser aceito e integrado como parte da própria existência neste mundo, e começa a fazer parte do caminho de santificação”, diz a Exortação. “Somos chamados a viver a contemplação também em meio à ação, e nos santificamos no exercício responsável e generoso da nossa missão.” 

Dividido em cinco capítulos, o Documento tem pouco menos de 50 páginas e abrange uma série de outros temas, sempre ligados à proposta de busca da santidade no mundo atual. O Papa denuncia, por exemplo, dois “inimigos sutis” da santidade: o gnosticismo e o pelagianismo atuais. 

O gnosticismo é, para ele, uma “vaidade superficial”, isto é, “reduzir o pensamento de Jesus a uma lógica fria que procura dominar tudo”. Trata-se de negar a transcendência e explicar tudo como os raciocínios humanos. Já o pelagianismo atual é, conforme a Exortação, uma autossuficiência que ignora a vida na comunidade formada pela Igreja. Envolve “transmitir a ideia de que se pode fazer tudo com a vontade humana, como se ela fosse algo de puro, perfeito, onipotente”. 

No terceiro capítulo, Francisco propõe as bem-aventuranças como “carteira de identidade” de todo cristão. “Como fazer para ser um bom cristão? A resposta é simples: fazer, cada um do seu modo, o que diz Jesus neste sermão”, reflete.

 

POR QUE FALAR DA SANTIDADE?

Esta é a terceira exortação do Papa Francisco, lançada exatamente dois anos após Amoris laetitia . De acordo com o Vigário de Roma, Dom Angelo De Donatis, que a apresentou em coletiva de imprensa no Vaticano, o objetivo do documento é “mostrar a atualidade perene da santidade”, uma palavra vista como “antiquada” na sociedade de hoje. 

“A proposta não é fazer um tratado nem repetir definições já amplamente estudadas pelos teólogos da Igreja”, disse o Arcebispo. “Na verdade, o Papa nos pede para ampliar o nosso olhar, refletir sobre aonde estamos indo, aonde vai a Igreja, pois ela perde o sentido se não tem clara a dimensão do caminho de santidade”, acrescentou. “Portanto, a ideia é apresentar a santidade como meta desejável do próprio caminho humano. É um chamado que Deus apresenta a cada um”, definiu.
 

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